17.3.14

O verdadeiro "consenso"


 


«Os principais elementos de identidade nacional continuam a ser a bandeira, Fátima, a gastronomia e o fado (...). Os mais jovens e instruídos vêem a imagem de Portugal associada sobretudo a símbolos relacionados com o turismo (sol, praia e gastronomia), ao fado e à selecção nacional. Já os mais velhos, menos instruídos e com rendimentos mais baixos associam o país a elementos mais tradicionais, como a bandeira nacional e Fátima. No global, estes dois símbolos são justamente os mais mencionados pelos inquiridos (...) O orgulho em ser português também pesa nesta equação, tal como o desporto, mas a existência de “líderes reconhecidos” praticamente não é referida pelos inquiridos (...). Há muito orgulho nos feitos da história, do desporto, das artes e da ciência, mas “embaraço e vergonha no sistema económico e político actual”, nomeadamente no modo como funciona a democracia (...). Nos acontecimentos históricos identificados como eventos que simbolizam a união e são elementos de memória colectiva, além do 25 de Abril de 1974 e dos Descobrimentos, o Estado Novo também é referido e por metade dos inquiridos (...). A mobilização tende, aliás, a concretizar-se mais em causas pontuais, eventos que traduzem a capacidade de organização colectiva (como os jogos da selecção nacional, o Euro 2004, a libertação de Timor-Leste, em 1999), do que em causas estruturais, como o combate à pobreza, a melhoria do sistema de saúde e do funcionamento da justiça.» Como diria a Ana Cristina Leonardo, era só.

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