Salvo erro, apenas três câmaras municipais seguiram a "intolerância de ponto" carnavalesca decretada pelo governo. O que quer dizer que, do "continente" às regiões autónomas, o país pára pelo menos quatro dias. É claro que parte dos suspeitos do costume, os funcionários públicos da chamada administração central, estão a fazer figura de corpo presente seguindo, aliás, o "exemplo" do governo propriamente dito e dos seus gabinetes (quem lá passou, sabe que é assim). Todavia, e para garantir alguma "comicidade" inerente à saison, Crato é enviado a uma comissão parlamentar da parte da tarde, a única em que ocorrem "conseguimentos" na Assembleia. Não acho qualquer piada ao carnaval e, muito menos, às "tradições". Mas esta "intolerância de ponto" foi justificada por causa da "emergência nacional" e duraria enquanto tal "emergência" andasse por aí. O que, em 2014, é contraditório com os sucessivos "milagres" anunciados, desde o "crescimento" ao porta-aviões das exportações, que criaram essa extraordinária crença do "país melhor" pejado de "vidas piores", uma coisa consistente, noutro plano, com o carácter ficcional da verdade para que apontava Nietzsche. Por falar em ficção, trouxe um Le Carré para cima da secretária para me acompanhar neste descaso de dia. Às tantas - o livro é O Alfaiate do Panamá - um diplomata do Foreign Office desata num monólogo interior ao saber do "recrutamento" de alguém «treinado para esfregar o cu pelas esquinas e abrir cartas ao vapor de uma chaleira», numa altura «do grande Corte nas Despesas e do recrutamento, anunciado aos quatro ventos, de peritos em administração destinados a levar o Foreign Office, a bem ou a mal, até ao século XXI. Céus, como ele odiava este governo! Pequena Inglaterra, E.P., dirigida por uma equipa de aldrabões de décima ordem que não serviam nem para dirigir um parque de diversões numa praia para as classes baixas. Conservadores capazes de despojar o país até à última lâmpada eléctrica só para conservarem o poder. Que achavam que a Função Pública era um luxo tão supérfluo como a sobrevivência mundial ou a saúde nacional , e o Foreign Office o mais supérfluo de todos. Não! Na época presente de banha da cobra e pensos rápidos, era bem possível que o posto de Chefe de Chancelaria no Panamá viesse a ser considerado dispensável e, com ele, Nigel Stormont.» Pois. É carnaval e há, pelos vistos, quem leve a mal.
3 comentários:
A terça feira de carnaval devia ser declarada no Borda d'Água -uma das mais ilustres, dignas e honradas publicações da editorielalidade da pátria - o Dia do Governo Ridículo.
É que tal como um actor cujo nome não recordo dizia de um exame de Vasco Santana "Sou surdo há 30 anos e nunca ouvi um exame assim!"a gente podia dizer que anda nisto há quase 40 e nunca viu tal patetice. Até o "futuro presidente Marcelo apoiado desde o primeiro primeiro segundo por Passos Coelho se descaíu no domingo passado, reconhecendo que hoje o funcionário não trabalhará num gesto cívico de indignação, revolta e nojo.
Salvou-o a sempre servidora de todos os poderes reais ou putativos Judite de Sousa, insinuando uma ponte em que o genial mestre não pensara.
Este país tornou-se um albergue, de dementes e miseráveis.
Viva a folia e vamos à guerra, que Putin tem pressa.
A tolerãncia de ponto é para a terça-feira de carnaval. Trabalho numa câmara que deu tolerância mas trabalhou-se na 2ª feira como foi sempre prática, que me lembre. Dizer que se pára 4 dias é desinformação. Quanto à ponte, fazem-na os que quiserem à custa do seu período de férias legítimo.
a juntar às inúmeras empresas privadas que hoje não trabalham... às escolas que o ministério da educação decretou 3 dias de férias escolares... este país é uma anedota.
=:-(
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