
«Com a Europa a capitular assim - revelando maior preocupação com os seus bancos do que com os seus jovens -, não admira que por todo o lado se multipliquem sinais do grande motim anti-europeu que se prepara: é Beppe Grillo em Itália, são os alternativos do AfD na Alemanha, é o Partido para a Liberdade de Geert Wilders na Holanda, são os "Verdadeiros Finlandeses", é o UKIP de Nigel Farage, etc., etc. E no último fim de semana tivemos mais um preocupante sinal desta escalada, com a Frente Nacional de Marine Le Pen a chegar quase aos 50% dos votos nas eleições francesas de Lot-et-Garonne. Este resultado traduz uma impressionante progressão de 20%, da primeira para a segunda volta. Não admira, pois, que Marine Le Pen tenha já anunciado que as eleições europeias do próximo ano, em que as sondagens a colocam a disputar o primeiro lugar nacional, serão transformadas num referendo à permanência ou à saída da França da União Europeia. Isto promete, pois. Mas, entretanto, os responsáveis políticos europeus continuam, como se nada acontecesse, a repetir as narratretas mais estafadas, uns sobre o laxismo sulista e as virtudes nórdicas, outros sobre as irresponsabilidades nacionais, outros ainda sobre o incontornável modelo germânico... todos invocando, para justificar o torpor em que se vive, as eleições alemãs de 22 de Setembro próximo. Mas seja qual for o resultado destas eleições, o que verdadeiramente vai fazer mudar as coisas na Europa, e em particular na Zona Euro, é a inevitável entrada da Alemanha em recessão. Aí, sim, vamos assistir a muita correria, mas tudo se arrisca então a ser tarde demais.»
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