Esta semana o ministro adjunto Poiares Maduro pronunciou-se por duas vezes sobre media e, em especial, sobre os media que tutela, a RTP e a Lusa. Foi numa comisão parlamentar e numa conferência da ERC. Nesta, a que assisti, os princípios gerais que enunciou pareceram adequados e não se distinguiram particularmente dos expostos, em diversas ocasiões similares, por Miguel Relvas (afinal, o Programa do Governo é o mesmo). Quanto aos organismos em que o Estado é o único accionista (RTP) ou accionista maioritário (Lusa), o ministro adjunto insistiu na "serenidade" e aguarda que as "reestruturações" em curso correspondam a "planos" que incluam, no caso da RTP, um novo acordo de concessão de serviço público (o da Lusa, de diferente natureza, ainda foi celebrado com Relvas). A problemática do serviço público de rádio e televisão é uma questão de conteúdos como abundantemente se tem escrito ou citado neste blogue. Todavia a empresa RTP sobreleva permanentemente qualquer debate sério sobre a matéria. Poiares Maduro, mais tarde ou mais cedo, acabará por ter de enfrentar este nó górdio agora que o regime, em peso, concordou em manter a "galáxia RTP" indemne. A CAV não deixa de ser uma substituição tributária pelo que, mesmo sem indemnização compensatória, são os contribuintes que a custeiam como bem nota Eduardo Cintra Torres: «em geral, as oposições, em democracia, queixam-se do aumento de impostos, mas a portuguesa quer mais impostos para financiar a RTP só porque sim, sem ter qualquer ideia que o justifique.». Em suma, «é por causa da insatisfação generalizada com os conteúdos realmente apresentados pela RTP que se está sempre a discutir o seu "futuro": esperamos sempre que venha a fazer verdadeiro serviço público, e ficamos sempre à espera. Se o ministro não encontra maneira, com o parlamento e a sociedade, de dar a volta ao problema dos conteúdos, podemos esperar sentados, pagar a taxa sem pensar no assunto e mudar de canal.»
Adenda: Entretanto no telejornal da referida RTP, dirigido por Cristina Esteves, passou uma peça sobre a falência de quatro farmácias hospitalares, um dos muitos ex libris do eng. Sócrates que apareceu em imagens de arquivo nas inaugurações das ditas. Serviço público, por exemplo, seria Cristina Esteves aproveitar a presença do comentador José Sócrates no fim do seu telejornal e colocá-lo a comentar-se a si próprio a propósito deste tema. Uma coisa que perpetra, aliás, com notável desenvoltura.

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