20.6.13

Um forte entre fracos


 


Saudei vivamente, em 2005 a eleição de Joseph Ratzinger como sucessor de Pedro. Acompanhei de perto, neste blogue, o seu pontificado. Divulguei o que me pareceu essencial da mensagem de Bento XVI. A Igreja não é um ajuntamento de prosélitos mais ou menos "optimistas" sobre o tempo  apalhaçado e vazio que corre. Pelo contrário, a Igreja não existe para agradar à maioria ou para perpetrar espectáculos de rua - existe para confirmar os seus seguidores na fé mesmo (ou sobretudo) que isso implique "viver" em minoria ou em absoluta solidão. Numa circunstância ou na outra, subsiste a comunhão espiritual que institui, como sempre instituiu, a Igreja sem qualquer necessidade de esta se parecer com um conjunto pop "globalizado". É esse o cerne da fortaleza erguida a partir da pedra que Jesus apontou a Pedro. A Sua Igreja não se confunde com uma stand up comedy. Bento XVI nunca cedeu ao populismo. A sua altiva timidez, o seu rigor teológico e filosófico, a sua fidelidade à razão eram porventura incompatíveis com o "festim nu" de uma sociedade sem rumo à vista. Deus comanda a esperança contra toda a esperança, na expressão feliz de João Paulo II, mas Ratzinger nunca alimentou ilusões ou ambiguidades em relação à natureza humana. Retirou-se do mundo quando sentiu que servia melhor a Igreja oculto dele. Não foi, como muitos tolos julgaram então, um sinal de fraqueza. Representou, antes, um sinal de uma força enorme. Oxalá o Papa Francisco consiga, um dia, estar à altura desse extraordinário sinal.

1 comentário:

isabel de deus disse...

Queira Deus que sim.