A anunciada greve dos professores a exames e a avaliações representa o regresso da instabilidade às escolas. Depois de nos últimos anos se ter privilegiado os "direitos" de toda a gente envolvida - alunos (que batem nos professores) , pais dos alunos (que entravam nas escolas para igualmente bater nos professores), professores, sindicatos - e desprezado a disciplina, o pilar do funcionamento de uma escola, com a consequente desautorização da figura, igualmente essencial, do professor, parecia que as coisas tinham atingido alguma moderação e algum equilíbrio. O poder político que precedeu o actual começou bem e acabou pessimamente nesta matéria. Confundiu uma classe inteira com uma nomenclatura sindical profissionalizada. Contribuiu para lesar a preeminência e a autoridade do professor na aula. Até o computador o precedia e, se fosse preciso, o anulava. Por consequência não aprecio o argumentário das "coitadinhas das criancinhas que não podem fazer exames". Não é por aí. Os professores (e os alunos) fazem parte de uma realidade mais complexa que tem a ver com a qualificação geral do país. Não pode ser resumida a uma questão de mercearia com cada um dos lados a usar o lápis que traz na orelha. Na tropa aprendia-se que há deveres e direitos e que aqueles precedem estes. Na escola também é preciso começar por aí em vez de se instaurar um novo "eduquês-financês" politiqueiro pejado de "professores coitadinhos" e de "alunos coitadinhos". É tempo de tratar isto como adultos.
4 comentários:
Genericamente de acordo, mas chamo a atenção de que, no governo anterior, o que se passou foi que os professores decidiram dizer BASTA, a toda um politica que só faltava ir buscar a criancinha à caminha tratar dela, leva-la par escola, atura-la, e, no final, repô-la a casa á caminha.
Os sindicados com a sua habilidade e para não perderem o pé, trataram de surfar e dominar a onda.
Basta atender, com atenção aos timing's das convocatórias das várias manifestações, para ver que o movimento começou "espontâneo" bem como algumas movimentações posteriores.
O que nunca foi discutido foi o que é ensinado e porquê, a interacção do calendário com a sociedade, etc.
Enquanto não voltarem à Escola os conceitos de Ordem, Disciplina, Autoridade e respeito pela Hierarquia bem podem falar, berrar, teorizar, chorar, culpar, etc.etc.etc. que NADA FEITO!
Estes são os valores que presidem em muitas Escolas Particulares em Portugal e corre tudo sobre rodas. Basta olhar e informarem-se para constatarem o óbvio!
Estão à espera de quê? Mais facadas? Ou da Polícia que só aparece quando lhe dá na "real gana" e tarde e a más horas?
Simplesmente lamentável que andemos - todos - a pagar os salários desses "supostos professores" que mais não são que políticos ao serviço do PCP e outros esquerdistas sem qualquer valor e que se aproveitam das situações para se autopromoverem e infernizarem a vida de quem quer trabalhar em paz e sossego. Triste País este que acoberta gente deste calibre sem quaisquer escrúpulos e ainda lhes paga o sustento.
Concordo plenamente com o seu post. Essa do "eduquês-financês " é de mestre! A reflexão deveria incidir, por exemplo, sobre a razão que levou milhares de professores dedicados e (ainda) cultos a correr para a reforma. Pessoalmente, perdi para a reforma muitos dos colegas que mais estimava e respeitava e que também os alunos (não os tomem por parvos!) estimavam e respeitavam. A escola tem sido, nesse sentido, grotescamente decapitada. Não é de estranhar, assim, a escalada, também aí, de ignorantes e oportunistas, para não falar de uma sufocante "maioria de esquerda", jovem e luzidia, para quem "antigo" é sinónimo de "lixo". Tristemente, em Portugal, nada do que funciona em outros países resulta. Há quem atribua isso ao facto de durante muito tempo, termos sido um país esclavagista, um país de "senhores" incapazes de passar sem um qualquer título ou pedestal. Será por isso que a autonomia das escolas tem sido o que se supõe viria a ser a regionalização, que demasiada gente deseja: a entrega do poder a caciques, lestos na imediata criação de uma corte subserviente ou traiçoeira, mas raramente tendo como prioridade as crianças, cujas mentes têm sido em décadas entulhadas de verdadeiro lixo, por poderes locais e centrais. Depois acrescente-se os lobbies das editoras escolares, produzindo manuais cada vez mais atafulhados de coisas supérfluas que os pobres pais têm de pagar, e cada vez mais pobres de conteúdo. Na minha área, o Português, o contacto com autores clássicos, consagrados pelo tempo, dá-se no NONO ano de escolaridade!!! Até lá, há uma indigestão de gramática (sempre a muleta dos incultos), muitos bonequinhos, textos indigentes, questionários imbecilizantes, frequentemente a subreptícia introdução da apologia do "bom selvagem". Depois há facadas, há crianças de11 anos a violar e a sofrer violação e isto, a que tenho chamado"genocídio cultural da nossa juventude", e que me tem levado a gastar rios de dinheiro (bem gasto!) com os colégios para a descendência, parece não ter fim à vista. Por tudo isto, só na terça-feira decidirei se adiro ou não à greve. É que olho à minha volta e quase só vejo culpados. Não se preocupe, contudo, o autor do comentário anterior: no momento, a sensação que tenho é a de pagar o meu próprio salário em impostos. Pode crer que materialmente, dou bem mais do que recebo. Contudo, de cada vez que combato com sucesso a ignorância programada para os jovens, sinto-me feliz e recompensada.
PSC,
Cuidado com os ditos Super Colégios Privados" que nunca se aguentariam se tivessem uma população escolar semelhante a uma Escola Pública, mesmo as mais normais.
Cuidado com a paz dos cemitérios, que pululam em muitos colégios privados.
Quanto ao resto, as Escolas Públicas são o reflexo da nossa Sociedade, assim como o futebol ...
Enviar um comentário