23.6.13

A farpa no "consenso"


 


Em França, o "consenso" - essa palavra delicodoce tão para tudo quanto para nada - republicano ameaça romper-se com a emergência demasiado fulgurante de Marine Le Pen. Depois da desilusão centro-direita representada por Sarkozy, parece estar em marcha a desilusão centro-esquerda com Hollande. Para mais, Hollande ainda não encontrou (nem se sabe se a senhora deixará que ele, ou outro qualquer, encontre) o "tom" adequado para a Europa comandada por Merkel. Em 2002, entre a 1ª e 2ª volta das presidenciais, assisti em Paris, por acaso, a um desfile da Frente Nacional ainda com o pai Le Pen. O senhor falou quase três horas, em frente à Ópera, e ninguém arredou pé. Mais de dez anos depois, a filha segue a estratégia dos pequenos passos de Lenine e pode obter um resultado surpreendente nas europeias da Primavera que vem. Uma coisa dessas fatalmente obrigaria a Europa a, como diriam os nossos ensaístas de serviço, "revisitar-se" e a libertar-se forçosamente do torpor idiota que a atravessa. Às vezes há males que vêm por bem.

2 comentários:

JSP disse...

Porquê "males"?
O caro doutor conhece, muitíssimo melhor do que eu, o terrorismo semântico utlizado pelos "merdia" comunicacionais quando se referem aos movimentos políticos que o modismo pós 60 colocou no "index"...

observador labrego disse...

"segue a estratégia dos pequenos passos de Lenine" ....

'tá a ver como são gloriosos marxistas de direita?