20.6.13

Uma explicação


 


Antes de prosseguir, uma declaração de interesses: sou um dos que não receberá o subsídio de férias em Junho. Dito isto, o Presidente da República já garantiu, pela promulgação do diploma legal respectivo, que os subsídios de férias de trabalhadores e pensionistas do sector público, que recebem valores brutos superiores a mil e cem euros, só vencem lá para Novembro, uma altura boa para ir investir algures numa outra economia onde haja Verão. Admiro-me que o Presidente - que noutras ocasiões promulgatórias menos social e economicamente constrangedoras não se privou, e bem, de acompanhar o acto de uma nota ou mensagem - não tenha anexado à promulgação uma mesmo que pequena explicação. Na antevéspera do acto, afirmou publicamente que "era costume" os ditos subsídios serem pagos em Junho. E tanto "era costume" que alguns organismos públicos já o haviam processado e pago (v.g. a CLM e muitas autarquias de várias "cores" políticas). O que quer dizer que, entre hoje e os primeiros dias da próxima semana, vão coexistir situações díspares nesta matéria: trabalhadores de serviços públicos com subsídios, trabalhadores de serviços públicos sem subsídios e trabalhadores de serviços públicos com algum subsídio. Isto para não mencionar os trabalhadores do chamado sector privado que receberão normalmente os seus subsídios de férias. Pelo menos a segurança jurídica, ou o sentimento jurídico colectivo para recorrer a um velho jargão do Direito, merecia outro tratamento.

4 comentários:

Maria disse...

Não anexou porque sabe (conscientemente) que actuou de uma forma ignóbil, cínica, desumana e profundamente injusta. Não há argumentos que lhe valham.

Valdemar Rodrigues disse...

«Isto para não mencionar os trabalhadores do chamado sector privado que receberão normalmente os seus subsídios de férias.» - Mas desde quando é que existe "secotr" privado em Portugal, e desde quando esse "sector" não copia tudo aquilo que o outro , o dito "público", faz quando isso serve os seus interesses?

AS disse...

Situação normal: 1) Um salário suplementar pago em Junho; 2) O outro salário suplementar pago em Novembro. [ Nota – uso a designação “salário suplementar” porque me incomoda que se chame subsídio a uma retribuição do trabalho prestado que está contratualmente estabelecida. ]

Situação em 2013: 1) Um salário suplementar pago em duodécimos em cada mês ao longo do ano, o que corresponde, em média, ao seu pagamento integral no final de Jun.2013 (os duodécimos de Jan.2013 a Mai.2013 foram pagos antecipadamente, o de Jun.2013 será pago no mês normal, e os de Jul.2013 a Dez.2013 serão pagos postecipadamente); 2) O outro salário suplementar pago por inteiro em Nov.2013.

Não há qualquer prejuízo para os funcionários afectados. As 2 situações descritas são equivalentes.

As pessoas que defendem agora o pagamento integral de um salário suplementar em Jun.2013, a que acresceriam os 5 duodécimos que já receberam até então, defendem uma alteração para melhor à situação normal (acima descrita) a que estavam habituadas no passado. Não defendem a reposição do que estava. Defendem uma melhoria em relação ao que estava: pretendem receber até Jun.2013 um salário suplementar completo mais os 5 duodécimos que já receberam até Mai.2013 (5 duodécimos estes que nunca haviam recebido no passado que lhes serve de referência).

E mesmo que se queira lançar uma cortina de fumo com a designação de “subsídio de Natal” inicialmente atribuída – antes do acórdão do Tribunal Constitucional – aos duodécimos, a questão substancial prevalece: estes duodécimos correspondem, em média, a um pagamento integral em Jun.2013 (qualquer que seja a designação que se lhes atribuir).

Quanto muito estaria em causa o pagamento em Jun.2013, de uma só vez, dos 7 duodécimos que perfazem (com os 5 duodécimos já pagos) um salário suplementar completo. Porém, isso representaria de igual modo uma melhoria em relação à situação normal: todo o salário suplementar estaria recebido até 30.Jun.2013, mas 5/12 teriam sido pagos antecipadamente, entre Jan.2013 e Mai.2013.

Rocco disse...

Não há dinheiro... É preciso fazer um desenho? Func Pubs tenham paciência... Nós, os outros, já não temos mais.