17.6.13

Cadáveres adiados que procriam


Nada fica de nada. Nada somos.


Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos


Da irrespirável treva que nos pesa


        Da húmida terra imposta.


Leis feitas, estátuas altas, odes findas -


Tudo tem cova sua. Se nós, carnes


A que um íntimo sol dá sangue, temos


        Poente, porque não elas?


O que fazemos é o que somos. Nada


Nos cria, nos governa e nos acaba.


Somos contos contando contos, cadáveres


        Adiados que procriam.


 


Ricardo Reis


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