24.12.12

Um património

Apesar de ter decidido não escrever nada sobre a RTP nos próximos tempos, não deixo de ler o que sobre ela se escreve e diz. Este artigo de João Lopes  - que sempre pensei que dará um belíssimo director da Cinemateca - é, de longe, das coisas mais interessantes, e não histéricas ou de "ocasião", que se escreveu este ano sobre o assunto. À semelhança de Lopes, e enquanto cidadão, preocupa-me o destino do arquivo e a sua disponibilização pública. Defendo (isto, para já, posso e devo dizer) que o arquivo da RTP deve passar para o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM), aliás na sequência disto (tanto quanto sei o ANIM está já apetrechado para o efeito). «Confesso (...) o meu cepticismo perante alguns inflamados discursos que, dos sectores mais diversos, exaltam a defesa do "serviço público". Desde logo, porque não detecto qualquer homogeneidade em tais discursos: não creio que estejam todos a dizer o mesmo quando aplicam a expressão "serviço público" e, em boa verdade, temo que alguns nunca tenham pensado naquilo que estão a dizer. Depois, porque quase todas essas vozes, defensoras do "serviço público", mostram uma olímpica indiferença face a um valor absoluto da RTP. Qual? O património das suas imagens, isto é, o seu arquivo. Este desabafo não envolve nenhuma certeza. Tenho cada vez mais dúvidas sobre as tradicionais definições de "serviço público". Penso mesmo que a insistência na sua formulação apologética nos está a fazer passar ao lado do presente tecnológico e comunicacional da televisão, ao mesmo tempo que bloqueia qualquer projecto consistente para o seu futuro. Habituei-me, há muitos anos, a ouvir coisas caricatas como essa que garante que os críticos querem que a televisão só passe "ópera & bailado"... Desisti mesmo de considerar que tal estupidez se possa contrariar por qualquer argumentação exigente e racional.» Isto quando «todos os dias, a população é bombardeada com reality shows que desafiam os mais básicos princípios de dignidade humana garantidos pela lei; onde estão os políticos empenhados em questionar os poderes mediáticos, culturais e económicos de tais programas?»

Sem comentários: