
Fez muita falta na política nacional em 2012. Fez falta na própria Europa. Como alguém escreveu, o Nobel da Paz parece ter-lhe sido atribuído a título póstumo. Embrenhada numa crise que começa na moeda e acaba no bolso das pessoas que usam a moeda, a Europa "vive" suspensa de uma eleição que terá lugar na Alemanha no último trimestre do próximo ano. Entretanto realiza conselhos "decisivos" que nunca decidem coisa alguma. Este ano foi particularmente rico em reuniões desse género, seguidas de penosas conferências de imprensa como se a Europa já não soubesse estar à altura da sua história e das suas responsabilidades civilizacionais no mundo. As principais instituições, embotadas e redondas, exploram até ao limite uma novilíngua que não alcança os "povos". A nossa crise - que não é apenas financeira ou económica - só pode ser ponderada em "modo europeu". E, tão provável quanto tardiamente, em "modo federal". A retórica do "alargamento" paga-se como, mais tarde ou mais cedo, se paga toda a língua de pau. A Inglaterra praticamente já é outra coisa e já só pensa noutra coisa mesmo com um tipo tão shallow como Cameron. Essa, aliás, foi a única "ideia de Europa", em 2012, Hollande incluído - uma Europa de pequeninos, shallow em suma.
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