15.12.12

Borodina


 


A última vez que vi cantar Olga Borodina foi na Ópera da Bastilha. Era então a princesa Eboli no Don Carlo de Verdi. Esta tarde, em Nova Iorque e ao princípio da noite em Lisboa, em directo na Gulbenkian, Borodina foi Amneris, a despeitada filha do Faraó que o "herói" Radamés troca pela não menos princesa - só que etíope -, escrava da outra, a famosa Aida. Como escreve Jorge Calado no Expresso, não era possível juntar agora elenco melhor. Verdi interessou-se pela política. Muitas das suas óperas são sobre o poder que é a coisa mais próxima de outras inclinações "humanas" como o amor ou a paixão. E como a vida imita a arte (O. Wilde), Verdi acabou por ser um dos grandes inspiradores da unificação italiana e as suas óperas são bem mais "realistas" que as referidas paixões "humanas". Para além disso, e como me dizia alguém na Gulbenkian, esta ainda é uma ilha no meio da ignorância, da má-fé e das lérias domésticas. Ou seja, um lugar frequentável com gente frequentável. Honra e glória a Verdi.

1 comentário:

Marques disse...

Exactamente.