27.12.12

A ideia de "pessoa"


 


Um ano nunca fica bem "balanceado" se nos esquecermos das pessoas. Os jornais, as televisões e outras "plataformas" afins não param de nos atirar à cara com essas pessoas. Os mais ingénuos elegem os "portugueses", em abstracto, como as tais pessoas do ano, supostamente capazes de tudo e do seu contrário. Como Fernando Pessoa bem "relata" em Mensagem - "que farei eu com esta espada", perguntava, incrédulo, o conde D. Henrique, pela voz do autor de Tabacaria, antes de inventar os ditos portugueses. Viu-se o que fez e ajudou a fazer. As pessoas, fora as que morreram, são essencialmente as mesmas e da mesma massa feitas. Fúteis, mesquinhas, egoístas, superficiais, dissimuladas, mistificadoras. No plano ficcional, lamento que tivesse terminado a série House. Everybody lies é um emblema na vida da maior parte das pessoas. Tal como o desprezo irónico a que devem ser votadas, e que House fazia sem tremelicar. Noutro, Gore Vidal. Quando morreu, escrevi o que me pareceu adequado. As pessoas "reais" interessam-me cada vez menos, mais ou menos "íntimas", porque quanto mais "íntimas" mais elas mesmas, ou seja, nada íntimas. Estão à espera que diga qualquer coisinha sobre "política" e "políticos do ano"? Não, fica para outra altura. O "ano" dessas pessoas ainda não acabou e, seguramente, não acaba daqui a uns dias. Se quisesse resumir a ideia de "pessoa" em 2012 - desde sempre?-, recorria a Vidal: hostilidade e perigo. Dirão os mais atentos que isto não é próprio de um cristão. Mas Jesus varreu os vendilhões do templo com a espada, não com beatitude. E deu cabo deles, como relata João: "Eu venci o mundo". Está pois respondida, sobre pessoas, a pergunta de Pessoa.

1 comentário:

Pedro Pereira disse...

Sabe do que é composta a pessoa humana? Quero eu dizer sabe autenticamente o que nos diferencia de um animal? Sempre me questionei sobre isso mas nunca obtive resposta inequívoca.

É uma pergunta perpétua.

Eu penso que a diferença, para além da natural possibilidade que temos de construir raciocínios abstratos, está na nossa extraordinária capacidade de comunicar.
Sim, de dizer, ouvir e explicar. Se nos afastamos das pessoas como faz parece claro que dai a pouco acabamos por odiá-las, ver os defeitos em todas as virtudes.

Jesus não varreu os vendedores do templo por um capricho qualquer.

Fê-lo porque o lugar de fé e espaço de preservação da vida humana é um lugar onde se serve o homem e não o dinheiro. Não se pode servir a dois senhores, mas isso já deve saber.
Abrace a vida que há ao lado e verá que, muito apesar dos defeitos (todos temos)

Os portugueses tem, no geral, uma dignidade de príncipes.