
O Nobel da Paz é entregue, em Oslo, ao extraordinário trio institucional que dirige a "Europa", a saber, o presidente da Comissão, o presidente do Conselho e o presidente do Parlamento. Assistem ao evento alguns dirigentes europeus e canta uma banda portuguesa cujo nome não retive. A "Europa" recebe o prémio alegadamente por causa da pax europaea e pelo que representa para ela própria, em especial, e para o mundo, em geral enquanto "comunidade" política e económica. Isto acontece no princípio de uma semana em que um dos países mais ricos e industrializados dessa "comunidade, a Itália, ameaça voltar à instabilidade e à incerteza depois de Monti anunciar uma putativa saída e Berlusconi revelar um putativo regresso. E acontece quando a "ideia de Europa" não podia andar mais nas ruas da amargura. Os famosos mercados, aliás, já começaram a balir. Mais do que a tal banda lusa, o que seria mais adequado ouvir em Oslo seria um fado. Porque "fado" não tem tradução em mais nenhuma língua e a Europa, hoje, é isso mesmo: uma coisa intraduzível.
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