Há dias, mais adequadamente há umas noites atrás, tive a infelicidade de passar pela "quadratura do círculo", da sicn. Durante o "socratismo", esse programa, apesar de tudo, distinguia-se pela relativa clareza das posições. Costa era um brilhante "ideólogo" da coisa, Pacheco e Xavier, com as intermitências exigidas pelo taticismo maoísta empedernido de um e pelas "declarações de interesse" do outro, encarregavam-se de "denunciar" a maleita. Com o advento da actual maioria, a "quadratura" passou a ser um programa paradoxal (ou talvez não) de comentarismo tudológico no qual há uma espécie de "centro de mesa" em forma humana (C. Andrade) e três pessoas sensivelmente com a mesma opinião sobre a "actualidade", em particular a que diz respeito ao actual governo. O menos "oposicionista" é, imagine-se, António Costa apenas porque é do "meio", enquanto os outros dois são sobretudo do "meio" de cada um. O derradeiro programa foi um espectáculo deprimente de exaltação do ego desse fantástico intelectual orgânico dele próprio que é o José Pacheco Pereira, o verdadeiro pivot da traquitana. Noutro palco, o pivot também exibe esta sua vocação absolutista - Pacheco deve odiar o pragmatismo filosófico norte-americano porque apenas aceita conversas alternativas que sejam suas - ao escrever semanalmente no Público, num estilo torrencial e em mau português, contra situações ou pessoas que presumivelmente se estão nas tintas para a sua vaidade solipsista e incomensurável. O mandarinato dele começa e termina na sua extraordinária pessoa. Devia acabar, com propósito, os livros (em geral bons) que anda a escrever e deixar-se de tagarelices ensimesmadas e nulas. Vem isto a propósito do que Vasco Pulido Valente diz no mesmo Público sobre a derradeira "quadratura". «Pacheco Pereira, por indignação ou ressentimento, voltou aos seus tempos de esquerdista, lá veio com a velha conversa de que na essência a caridade humilhava quem a recebia; e que o Estado, prestando um serviço, se limitava a responder a um direito legal do cidadão (...) A Quadratura do Círculo irritou muito boa gente. Confesso que me irritou a mim.» A mim também.
3 comentários:
Não consigo alcançar (devo ser limitado intelectualmente!) porque é que as palavras de Pacheco Pereira sobre caridade e solidariedade causam tanta aversão da sua parte.
O que ele disse é conotado com uma visão de esquerda? Há mal nisso? Não me considero de esquerda, compreendi e aceito o que ele disse.
Pacheco Pereira escreve no Público em mau português. Sem dúvida que devemos estar sempre muito atentos ao que escrevemos, à gramática e à semântica. É difícil escrever bem todos os dias. Pelo menos sei que sou mau a escrever português mas é nessa escrita que nos entendemos até para dizer que está mal e para melhorar.
Escrever bem é difícil.
Pacheco tem um ego grande ego.
E V. Exa.? Segue-lhe os passos.
Pois a cultura não está ao alcance de todos, sobretudo a boa, aquela que é aconselhada por si.
Ás vezes ficamos cegos...
A mim também me irritou!Aliás,eu devo ser mesmo masoquista,pois juro a mim próprio que "nunca mais vejo aquele programa" e afinal algumas vezes acabo por ver!Foi o caso do último programa!O que me irrita naquele programa é quase tudo:a tagarelice,o ódio do "filósofo de Boticas e regedor da Marmeleira", o cinismo do "dono" da CML, bem como do "moderador" e o zig-zag do único que me parece pelo menos um pouco honesto, e que por vezes também se deixa levar pela demagogia barata!
Mas,dr.João,prometo que este seu artigo vai ser enviado a muitos dos meus contactos pois é do melhor que eu já li a propósito daquela palermice de programa. Pior do que este só o inenarrável "Eixo do Mal",com uns actores inqualificáveis,em que se destaca aquela jornalista "doutorada" sabe-se lá como e quando?
"irritou a mim"
Uma coisa que irrita bastante é os comentadores dizerem mal porque é mau e bem porque é bom. Quando muito, denunciam os interesses não revelados daqueles que criticam.
Não seria de bom tom o senhor dizer também que é assessor e defensor deste governo?
Já que não consegue abordar a substância do debate, sempre esclarecia alguma coisa.
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