23.12.12

O mistério da cultura

No Público de hoje, domingo, Vasco Pulido Valente "vai-se" à cultura, parente paupérrima do OE e do PIB nacionais. Por um instante, no efémero governo Santana Lopes, a "Cultura" separou-se em bens culturais (no fundo, o património) e em actividades culturais (o cinema, o teatro, o bailado, a ópera, etc.), uma coisa que Pulido Valente defende. A primeira parte podia passar por praticamente todos os sectores governativos - em especial a Economia - e a segunda poderia ficar entregue a uma espécie de conselho geral das artes onde o Estado também teria assento. Há muito que escrevo que o Ministério da Cultura desapareceu em Julho de 2000 para dar lugar, com vagas intermitências, àquilo que Pulido Valente descreve. A qualificação, uma matéria, como agora se diz, "transversal", não pode ser sacrificada a título de alfinete de gravata aposto de vez em quando sobre "aquilo que interessa". Nem tão pouco podem lobbies lamurientos e mediáticos tomar a "cultura" por sua como se tudo, nesse sector, se reduzisse a uma área ou duas de interesses corporativos.

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