13.12.12

Caridade

É ter paciência para estar a ver e ouvir três pessoas, aparentemente com as respectivas cabeças ainda em cima dos ombros, a discutir em formato literal "quadratura do círculo" a semântica de Isabel Jonet. Para além de empobrecer, também estamos todos a endoidecer?

6 comentários:

A.Lopes disse...

Ontem tive a pachorra de ouvir todo o programa que refere!E confesso que me custou!É lamentável o que aquele crápula do filósofo de Boticas diz,sempre com o fito de atacar o PSD e sobretudo o seu ódio de estimação,o 1º.ministro Passos Coelho!
Claro que o "dono"da CML aproveita a deixa para criar ruido e dar as suas demagógicas tiradas!
Salva-se o Lobo Xavier,já que o "moderador" alinha pela maioria dos dois "palradores" ! Um programa a evitar!Pelo menos,por mim,acabou!

A. Pereira disse...

E, provavelmente, estamos a empobrecer porque já antes endoidecemos.

Ajom Moguro disse...

"Uma certa esquerda usa os pobres que não ajuda para criticar conceitos que não domina visando uma igreja a que não pertence". - Acho que são palavras de Isabel Jonet , cortantes como punhais. Os "democratas" da quadratura atiraram-se a Lobo Xavier como cães famintos, quase não o deixando falar. É assim que os cavaleiros quixotescos de tristes figuras reagem quando se sentem desmontados.

António Gil disse...

Sim. Deixei de ver. Não vale a pena perder tempo com tal filósofo. Depois daquilo o que se aproveita para o país?

Nuno Castelo-Branco disse...

Jonet pode mesmo dar-se ao luxo de perder a cabeça e desfiar um rol de verdades que são proscritas desde há duas gerações. Este é um caso de mera guerrilha política e, desconfio, de uma séria tentativa de alijar uns para a obtenção de "posições de relevo" para outros mais consentâneos com o correctês vigente. Embora politicamente não devesse, "a chefe" do B.A. pode falar, porque faz. Jonet é a a imagem de uma complexa organização que nasce precisamente do vilipendiado "espírito do liberalismo", querendo com isto dizer estar em perfeita sintonia com tudo aquilo que abanou a sociedade civil portuguesa desde há mais de um século e meio. Por muito que isso desagrade aos bebericadores de Veuve Clicot, o Estado Social não surge após 1917-18, é na realidade muito anterior e podemos até apresentar Bismarck e Napoleão III como dois dos mais conhecidos fundadores do princípio. O Estado Social é filho do liberalismo e de tudo aquilo a que no seu tempo se chamava de progresso e cresce pela boa vontade, sentido de missão e porque não?, sincero interesse de quem mais podia, vivamente se ocupando da sorte dos outros. No campo empresarial, mesmo no nosso país, tivemos filantropos que ergueram empresas onde os trabalhadores tinham aquilo que o Estado ainda não podia garantir: habitação, cuidados de saúde, assistência à infância. Era precisamente aquela gente que os cartoonistas se habituaram a caricaturar ostentando uma luzidia cartola, uns tantos que deram os primeiros passos no sentido da protecção dos mais desfavorecidos. Em Portugal, houve gente que ocupando importante posição na pirâmide do poder - Dª Amélia, o exemplo máximo - teimou com os políticos, admoestou a incipiente opinião pública, organizou, seguiu um plano para o futuro, fez "obra sustentável", tal como agora se usa dizer: aí estão a Assistência aos Tuberculosos e um rosário de enfermarias e sanatórios, o Socorro aos Náufragos, o Instituto Pasteur/Cãmara Pestana, os lactários populares, as Cozinhas Económicas, etc, etc. Isso era e é a Caridade, naquele sentido que hoje em dia apenas os anglo-saxónicos entendem.
Numa daquelas girândolas televisivas de fim de semana, uma espécie de reedição da personagem principal do luso-filme "O Zé do Burro", um tal Oliveira dizia à sua partenaire intermitentemente oxigenada que ..."certas ong deviam ser fiscalizadas", sugerindo até a "necessária" substituição - o saneamento dos áureos tempos da bagunça - de Jonet. Em suma, estando a obra feita e correndo em bom trilho, eis a ocasião propícia para alijar o "fardo reaccionário" e lá colocar mais uma comensal camarada ou um ex-qualquer coisa saído de Belém. Se até o grotesco Sampaio "já veste" o vestido cor de rosa da rainha, postando-se no seu atelier nas Necessidades e alçando-se a comandante-em-chefe da luta anti-tuberculosa... A verdade diz que Caridade não se confunde com a "caridadezinha", um fetiche que a nossa conhecida cigarra esquerdota dos botequins, "painéis televisivos", vernissages e congressos tanto gosta de execrar, até porque dos critiqueiros de serviço jamais se vislumbrou o mexer de um só palito para a construção de uma obra de interesse geral. Que sigam o exemplo de uns poucos, muito poucos fulanos que no início do século XX criaram "escolas republicanas", ateliers de formação, etc. Bem podemos esperar sentados, pois isso implicaria mais leite da seca e mirrada teta estatal.
Queres um exemplo de "caridadezinha de esquerda"? Aqui está, lembras-te da brilhante iniciativa "Pirâmide"? Foi o que se sabe, um piramidal escândalo censurado pela camaradaria ainda de serviço, aliás um exemplo sem continuidade, pois deu bem sonoro brado.
A Caridade, no sentido exacto, único, do termo, é passível de todos os encómios e mostra aquilo que de melhor a humanidade tem. Como é evidente, em perfeita complementaridade com as obrigações decorrentes da existência do próprio Estado, o principal esteio da protecção daquilo que a cidadania significa. Sem o Estado Social que hoje pode sintetizar a Europa, a Caridade não poderá ser o necessário complemento daquilo que as secula

S.Guimarães disse...

Plenamente de acordo.
Assino por baixo.