
«Vasco Graça Moura, que conheci, graças às guerras contra o Acordo Ortográfico, era um homem muito bem educado. Mas não era um hipócrita. Quando entrava na eterna e bendita briga interpartidária, entrava com toda a força das cacetadas verbais, em que as "cacetadas" faziam questão de nunca serem físicas. Muitas pessoas espantavam-se (ou não queriam saber) ser este o mesmo homem que escrevia, traduzia e editava livros maravilhosos. Mas era essa a maravilha dele: era convencido bastante para não querer saber da "imagem", essa palavra estúpida que substitui a igualmente estúpida "opinião pública" ou a mais foneticamente satisfatória "reputação".»
Miguel Esteves Cardoso, Público
2 comentários:
Até eu fiquei admirado com a brutalidade dos comentários nos vários on-line sobre este Homem na sua morte.
Mesmo eu que acredito que os comentários on-line reflectem o verdadeiro tuga, não esperava que o ódio fosse tão profundo apenas porque uns militam num partido outros preferem o oposto.
Não há culpados.
É atávico.
Nosso.
Quando se pensa pensa pela sua cabeça e se amadurece com formação o seu pensamento, pode-se errar, mas sabe-se o que quer defender e argumentar mesmo que seja contra uma maioria reinante, muitas vezes gerada pela ignorância das partes ou pelo comodismo de se pensar e de se cultivar individualmente... algo que de facto vai sendo mais raro... Vasco Graça Moura estava nesse grupo de pessoas rara por mérito e capacidades próprias
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