5.4.14

Barroso e as galinhas


 


O sempre extraordinário Durão Barroso conseguiu, com uma simples entrevista, o que pretendia: pôr o "meio" políticio a falar dele. Fosse por causa desse entulho chamado BPN, fosse por causa do "futuro" de tão deslumbrante dignitário, poucos ficaram alheios ao que o homem disse. Apenas Constança Cunha e Sá - que eu tivesse dado por isso - manifestou estranheza por um esquecível presidente da Comissão Europeia, que está nisso até Outubro, ter sido entrevistado sobretudo por causa de assuntos paroquiais. Os seus peões de brega rejubilaram com a fala como se pode apreender deste desmaio do dr. Arnaut, um dos mais "subtis" barrosistas do mundo, ao Expresso: "percebo que Marcelo tenha ficado nervoso".  Logo ele, Arnaut, que no mandato de Marcelo à frente do PSD tantas vezes lhe carregou a pasta, e a sombra, para se "passar" para Barroso mal lhe explicaram (contrariamente ao que sugere, ele "percebe" sempre menos do que diz) que "agora é que é". E o próprio dr. Passos não deixou de "valorizar" o "barrosismo", no Coliseu, com ascensões e regressos de homens fiéis à egrégia e fugitiva figura. Também o Doutor Cavaco - que já em 1995 o preferia a Nogueira - decerto não se importaria de o ver suceder-lhe. Mas, repito, o que ele primordialmente quis (e conseguiu) foi testar o "meio" com aquela lata egocêntrica que o distingue desde, pelo menos, a adolescência quando, na Aula Magna, e perante as hordas da UEC e do MRPP ("ousar lutar, ousar venccer"), explicou tranquilamente às primeiras que eram como certas galinhas: "põem ovos na razão inversa do cacarejar".  Só mudaram as galinhas. Ele não.

3 comentários:

fado alexandrino disse...

Se tiver engenho vou comentar no meu blog a extraordinária frase de Filomena Martins <i> como  o timing escolhido para falar aos portugueses e os objetivos com que o fez</i> bem como o coro que hoje o Expresso faz sobre o assunto. É quase meio jornal como o senhor, certamente, já reparou.
Como gosta de dizer "isto anda tudo ligado".

Inexequível dos Campos disse...

Enquanto a UEC punha ovos, o Barroso - à época ainda não fazia questão de ser dr. - ía abrindo umas cabeças, saneando professores e contribuindo para a destruição da faculdade de Direito. Essa dádiva à pátria perdura até hoje - será talvez a mais irreversível das conquistas de Abril - ainda que com os contributos de Bolonha.
Mas o cavalheiro não mudou, de facto, à parte agora tomar banho e não andar com nódoas (das verdadeiras, das que se tiram na máquina, não das que passeiam pelas comissões políticas).
Presidente???
Livra, antes o Senhor D. Duarte e a agricultura biológica.

eu disse...

E ninguém acha extraordinário que um presidente ainda em exercício da Comissão Europeia venha desmandar em público, por motivos puramente politiqueiros e paroquiais, um vice-presidente do BCE? O que vale é que, para além de Badajoz, não se sabe o que é o Expresso...