25.4.14

O sintoma


 


À memória do José Medeiros Ferreira, homem do "código genético" da democracia


 


As "comemorações" dos 40 anos do "25 de Abril" decorreram conforme previsto. No parlamento o regime celebrou-se em torno do mesmo pastelão retórico. Salvo a filha de Camilo Mortágua, do Bloco, que é mais nova que o regime e que é realmente uma novidade, os discursos não tiveram qualquer interesse, polémica ou, sequer, "elegância" política (de "grace" em inglês). Mesmo quando o PR espevitava parte da casa - como aconteceu frequentemente com Eanes no tempo em que os governos também dependiam do Chefe de Estado - contra a outra,  "crescia" na nação. Cavaco consegue o prodígio oposto: fala, a nação praticamente ignora-o e uma maioria parlamentar aplaude-o como um dos seus, e da sua infeliz circunstância, sem verdadeiramente o "respeitar". Fora do parlamento, a associação do Coronel Lourenço encheu o Largo do Carmo e teve direito a um ex-PR, o dr. Soares, obrigando as televisões a repartir-se entre o jazigo de família de São Bento e as toleimas voluntaristas do velho capitão de Abril. Ou seja, estes 40 anos da Revolução configuraram, da rua aos corredores do poder, um conflito, coisa de que o actual Presidente foge como o diabo da cruz. Foi, no entanto, o melhor sintoma da liberdade e da democracia. A melhor homenagem.

2 comentários:

fado alexandrino disse...

O senhor é uma pessoa não só extremamente inteligente como tem muito "mundo".
Sabe por isso perfeitamente que não há conflito nenhum e a haver um é apenas entre as pequenas personagens da Assembleia da República onde todos sabem qual o seu papel no teatro.
Desde mim como fundo da escala até Cavaco todos sabemos que quem manda em Portugal muito discretamente é a quem Portugal deve.
O resto é para encher os noticiários das queridas televisões, uma no Carmo outra na Ferradura.

zzeluis disse...

João, um ano depois, tenho novidades do meu caso com o"Protoguês" do CG Zurique. Aproveite o 25/4 para enumerar uma série de coisas. À sua consideração