
Ainda sou do tempo em que a dívida ia decrescer e em que o "ajustamento" seria repartido em dois terços, pelo lado da despesa, e em um pelo lado da receita, etc., etc. Corria o querido mês de Agosto de 2011:
a) «A dívida pública atingirá um máximo em 2013 (106,8 % do PIB) decrescendo para 101,8 % em 2015.»
b) «De forma notável, as receitas totais mantêm-se quase constantes em percentagem do PIB.»
c) «A dívida pública estará gradualmente a decrescer.»
d) «A economia terá começado a crescer, a criar emprego.»
e) «Globalmente, o esforço a realizar, do lado da despesa e do lado da receita fiscal, será na proporção de 2/3 e 1/3 respectivamente.»
A 1 de Abril de 2014, pela mesma "ordem de ideias", repetindo:
a) «A dívida pública atingiu, em 2013, os 129% do PIB, quando em 2012 este indicador foi de 124,1%.»
b) «O acréscimo de receita com impostos directos (que inclui IRS e IRC) foi de 4250 milhões de euros em 2013.»
c) «A dívida pública continuou a subir.»
d) «Taxa de desemprego em 15,3% pelo terceiro mês consecutivo. Eurostat estima, para Portugal, 812 mil desempregados em Fevereiro. Entre os jovens, o desemprego aumentou para 35%.»
e) «No total, a carga fiscal suportada pelos portugueses aumentou 5284 milhões de euros em 2013, num contributo decisivo para a evolução do défice público deste ano.»
Não é mentira.
4 comentários:
Um pergunta porventura incómoda.
O senhor agora colocou os óculos com lentes PS de ver ao perto e por isso e só vê as coisas más deste Governo?
Não, meu caro, a derradeira vez que mudei de óculos e de lentes foi em 2007. E, se reparar "ao perto", até revi uma coisa boa de Agosto de 2011. E estava lá, no salão nobre do MF quando aquilo foi apresentado. Não fui eu quem entretanto alterou o modo de ver aqueles documentos de estratégia orçamental. O autor deles (o último ainda está a abobrar) é que, pelos vistos, não aguentou esse modo de ver conforme explicou por escrito a 1.7.2013. Cpts.
O desemprego é alto. Sabemos isso. Muito alto.
Mas não está, efectivamente, a descer nos últimos meses?
E se o rácio é essencialmente impostos e não despesa, desde meados de 2012, isso deve-se a quê (ou a quem), exactamente?
Caro João, parece-me pouco sério defender às segundas, terças, quartas, quintas e sextas de manhã, tudo e mais alguma coisa que apenas significa a impossibilidade de mexer em qualquer despesa de jeito, e depois vir, à sexta de tarde, dizer que "a divida continua a subir".
Muito obrigado.
"Juros da dívida fecham abaixo de 4% pela primeira vez desde 2009"
Pelo menos esta não é uma má notícia.
Também começou a ser distribuído um novo mapa de Portugal.
Crescemos, embora seja só no mar.
Por favor de vez em quando, com a acutilância que lhe reconhecemos, seja um bocadinho optimista.
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