15.4.14

Um "brilharete" imoral

Ontem, para além das palavras do General Ramalho Eanes sobre a intolerância perante a miséria e o desemprego, quarenta anos após o 25 de Abril, o Diário de Notícias estimava em 120 mil as famílias/pessoas a passar fome, fora os mais de 2 milhões em risco de pobreza. Com um cenário social e ético desta dimensão, o que é que paira na cabeça do evangelista do "financês" para quem não tenho já a menor contemplação ou pachorra (Deus sabe como expio hora a hora este logro)? «O Governo pretende repetir o brilharete de 2013 e alcançar um défice inferior à meta estabelecida com Troika. Porém, o objectivo é ir, uma vez mais, além do combinado, não enveredando por um alívio na austeridade, apesar do efeito benigno da retoma da economia e da folga herdada de 2013. Em vez de 4% do produto interno bruto (PIB), a equipa de Pedro Passos Coelho aponta agora para um défice à volta de 1,9% este ano». "Brilharete"? "Ir, uma vez mais, além"? "Não enveredando por um alívio na austeridade"? Estão, em suma, a brincar à tabuada com a vida das pessoas?


 


Adenda: O meu Amigo José Mendonça da Cruz enviou uma espécie de "errata" político-legislativa que reproduzo na íntegra. Porém, e sobretudo depois de ver o senhor PM na sic, mantenho (mantém ele, PM, porque rasura deliberadamente esses tristes factos) a parte que não é da responsabilidade do DN. «Estava tudo muito bem, meu caro João, se não se tratasse de uma fantasia do Diário de «Notícias», já desmentida pela ministra durante a conferência de imprensa de ontem. Não há brilharete nem intenção de exceder a receita. De intenção o que há um processo da mesma, habitual na informação da treta. Um abraço, JMC.»

2 comentários:

Maria disse...

A postura do executivo só encaixa nma palavra - ignomínia-.

Vitor José disse...