3.4.14

A competitividade da estupidez


 


Num livrinho chamado Allegro ma non troppo, Carlo Cipolla, professor de história económica em Itália e nos EUA, desaparecido em 2000, explica "as leis fundamentais da estupidez humana". É muito simples. Segundo Cipolla, existem cinco "leis" que definem o "comportamento estúpido". A primeira, diz-nos que "cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação". A segunda, ensina-nos que "a probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa". A terceira, define a pessoa estúpida como aquela "que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo, até, vir a sofrer um prejuízo". A quarta, alerta para o facto de "as pessoas não estúpidas subestimarem sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas", isto é, "os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro". Finalmente a "quinta lei" chama a atenção para o óbvio: a pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe. Conclui Cipolla que "as pessoas estúpidas causam perdas a outras pessoas sem que obtenham vantagens para si próprias": "elas apenas conseguem empobrecer toda a sociedade". Vistas as coisas, em matéria de estupidez somos muito competitivos. 

3 comentários:

Maria Helena disse...

Quando em 1994 gastei 1470$00 no manual, ainda não queria  acreditar que, "O estúpido é mais perigoso do que o bandido". O Expresso escrevia na época que o dito era "uma das obras primas do humor ocidental"
Eles leram...
Maria Helena 

João Vargas Moniz disse...

Não me atrevo a acrescentar mais uma lei, mas diz-me a experiência que um estúpido nunca percebe que é estúpido. 
Precisamente por ser estúpido. 
Que somos competitivos na matéria, é indiscutível; é mesmo a nossa maior produção.

eu disse...

O blogger também melómano teve aqui "a slip of the pen": o livrinho chama-se Allegro e não Addagio...