10.4.14

Não se é impunemente Marco António


 


«As coisas nunca deixam de se complicar para este Governo bicéfalo. O principal dançarino nesse baile de sombras era Paulo Portas, que pensava anunciar para sua glória e dos seus, no recém-ocupado Ministério da Economia, através de um dos inúmeros chapéus com que anda, a boa medida. Disse claramente que só não avançava com o salário mínimo porque a troika não deixava, sendo que, indo a troika embora, 15 dias antes das eleições segundo o seu relógio, estava-se mesmo a ver como seria comemorada a libertação de 1640. Porém, na guerra larvar de Passos com Portas, o primeiro- ministro deixou-o para trás fazendo ele mesmo o anúncio que conta numa reunião partidária do PSD. Haverá próximos capítulos. E no entanto o primeiro-ministro acrescentou para si próprio dificuldades que podia evitar. Não se limitou a dizer, repetindo o tom de incomodação típico de Portas, que isso era um diktat do “protectorado”, mas enunciou argumentos ideológicos para não subir o salário mínimo, dizendo que, bem pelo contrário, os salários deviam era baixar em vez de subir. Claro que somou mais umas frases ao longo historial de “problemas com a sua palavra”, visto que agora tem que haver malabarismos argumentativos para justificar a viragem. Marco António fará isso, que ele isso sabe fazer muito melhor que Passos.»


 


José Pacheco Pereira, Sábado

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