4.4.14

Caminho de pedregulhos


 


De acordo com o primeiro-ministro - sempre respeitosamente acrítico perante relatórios "técnicos" sobretudo se não estiverem traduzidos - o martelo-pilão da austeridade tem de prosseguir para chegarmos, ainda que mortos, aos míticos 2,5% de défice do estúpido "tratado orçamental". Como refere Manuela Ferreira Leite, estamos para ver duas coisas: o porquê desse valor e não outro qualquer, mais acima ou abaixo, e quais os países que o vão cumprir e em que termos. Mas isso não interessa nada debater no contexto das eleições europeias, como se tem visto, muito menos a renegociação da dívida. Por outro lado, faz hoje um ano que Miguel Relvas se demitiu do "primeiro" governo Passos Coelho. Foi substituído, nas suas funções políticas e executivas, por um generoso pacote de eminências constituído por um híbrido de professores universitários (Maduro, Lomba, Cardoso da Costa, Macães), por uma estimável irrelevância política (Marques Guedes) e pelo fatal dr. Portas. Mesmo assim, salvo a do próprio Relvas, a "vida" política do governo não melhorou quer com estes prosélitos quer com os que se lhes juntaram em Julho ou, agora, com a persistente tagarelice de Paulo Rangel que parece mais um desastrado subsecretário de Estado do que um pujante candidato europarlamentar. Ou seja, Passos só não desistiu completamente da política porque tem eleições pela frente que manifestamente ele não pretende que "se lixem". Mas por este caminho de pedregulhos e com esta gente improvável atrás dele, do que é que está à espera?

1 comentário:

Fernando Ferreira disse...

Caríssimo João, trata-se apenas de mais uma colecção avulsa de venerandos, atentos e obrigados «calhaus-com-olhos». O que de caminho explica também o seu afã empenhado na venda da colecção Miró: eles detestam auto-retratos...