30.4.08

VIM, VI MAS AINDA NÃO VENCI - 2

A dra. Leite começou a sua campanha numa secção na Ajuda. Na TVI, lá despontava, de pé, atenta e admiradora, a dra. Lopes da Costa, um "vulto" do "santanismo" que chegou a vice-presidente pelas mãos do Zorro de quem foi, aliás, vereadora na CML. Primeiro, tinha lido nas "notas de rodapé". Depois, na reportagem, confirmei. A dra. Leite afirmou que, se for eleita pelos "companheiros", só fica se constatar que tem condições para derrotar Sócrates. Caso contrário, vai-se embora presumivelmente antes das legislativas. Os doutrinadores da dra. Leite deviam explicar-lhe duas trivialidades. Quem vai à luta, dá e leva. Quem vai à luta, ganha ou perde. A dra. Leite pretende "credibilizar-se" com isto ou que Sócrates desista a favor dela?

Adenda: Passos Coelho também começou muito bem. Disse que não era "nem de esquerda, nem de direita". A coisa promete.

VIM, VI MAS AINDA NÃO VENCI - 2

A dra. Leite começou a sua campanha numa secção na Ajuda. Na TVI, lá despontava, de pé, atenta e admiradora, a dra. Lopes da Costa, um "vulto" do "santanismo" que chegou a vice-presidente pelas mãos do Zorro de quem foi, aliás, vereadora na CML. Primeiro, tinha lido nas "notas de rodapé". Depois, na reportagem, confirmei. A dra. Leite afirmou que, se for eleita pelos "companheiros", só fica se constatar que tem condições para derrotar Sócrates. Caso contrário, vai-se embora presumivelmente antes das legislativas. Os doutrinadores da dra. Leite deviam explicar-lhe duas trivialidades. Quem vai à luta, dá e leva. Quem vai à luta, ganha ou perde. A dra. Leite pretende "credibilizar-se" com isto ou que Sócrates desista a favor dela?

Adenda: Passos Coelho também começou muito bem. Disse que não era "nem de esquerda, nem de direita". A coisa promete.

BACH




Ouço Bach. E percebo o que é que Goethe quis dizer com isto: "entretiens de Dieu avec lui-même, juste avant la Création."

(Vídeo: "Toccata e Fuga BWV 565", por Karl Richter)

BACH




Ouço Bach. E percebo o que é que Goethe quis dizer com isto: "entretiens de Dieu avec lui-même, juste avant la Création."

(Vídeo: "Toccata e Fuga BWV 565", por Karl Richter)

VIM, VI MAS AINDA NÃO VENCI


Isto tem lógica, apesar do permanente tropismo "socrático" do autor: «Manuela Ferreira Leite pretende uma nomeação por aclamação, à revelia de contraditório.» Para isso conta, entre outros, com estes "amigos de Peniche", alguns deles especialistas em farejar poder, ou a ameaça dele, por pequenino que seja.

VIM, VI MAS AINDA NÃO VENCI


Isto tem lógica, apesar do permanente tropismo "socrático" do autor: «Manuela Ferreira Leite pretende uma nomeação por aclamação, à revelia de contraditório.» Para isso conta, entre outros, com estes "amigos de Peniche", alguns deles especialistas em farejar poder, ou a ameaça dele, por pequenino que seja.

ENTRETANTO...


O 14º (a mitologia do "mercado" não explica tudo), a economia (o pobre Pinho, que deve ver o mundo a partir do "salão automóvel", imagina que as exportações - quais? - e o investimento - qual? a "nova Alcântara", o TGV, o betão da Motaengil para cima das estradas...? - nos "safam" da crise que Cavaco pressente vir aí) e outras "derivadas" são o que realmente conta, agora e em 2009. O resto é ranchos folclóricos e futebol.

ENTRETANTO...


O 14º (a mitologia do "mercado" não explica tudo), a economia (o pobre Pinho, que deve ver o mundo a partir do "salão automóvel", imagina que as exportações - quais? - e o investimento - qual? a "nova Alcântara", o TGV, o betão da Motaengil para cima das estradas...? - nos "safam" da crise que Cavaco pressente vir aí) e outras "derivadas" são o que realmente conta, agora e em 2009. O resto é ranchos folclóricos e futebol.

29.4.08

CONTRA A ETERNIDADE - 2

O blogue do Pedro Passos Coelho. O melhor dele foi, naquele interminável Prós&Contras sobre o PSD, ter respondido a um Vítor Ramalho (PS) - que verberava a balbúrdia "laranja" - que não estava a par porque tinha estado a trabalhar, no escritório, todo o dia. Pode ter algumas "bases". Falta-lhe, porém, alguma "base". Tem tempo.

CONTRA A ETERNIDADE - 2

O blogue do Pedro Passos Coelho. O melhor dele foi, naquele interminável Prós&Contras sobre o PSD, ter respondido a um Vítor Ramalho (PS) - que verberava a balbúrdia "laranja" - que não estava a par porque tinha estado a trabalhar, no escritório, todo o dia. Pode ter algumas "bases". Falta-lhe, porém, alguma "base". Tem tempo.

CONTRA A ETERNIDADE

Via Atlântico. Se bem contei, iam em quase cento e trinta assinaturas. Estou à vontade porque já não sou militante. Todavia, confesso que me dá um certo gozo ver este homem "dourar a pílula" até ao derradeiro dia para a apresentação das candidaturas. Da mesma forma que não me deu gozo algum aquele desfile de "notáveis" que apareceu à volta da "sacrificada" Ferreira Leite. Recordam-me, esses "notáveis" tocados pela eternidade, duas frases lapidares. A primeira, a famosa de Suetónio acerca de Júlio César: o homem de todas as mulheres e a mulher de todos os homens. A segunda, de um anónimo, acerca de demasiada gente: têm todas as qualidades do cão menos a lealdade.

CONTRA A ETERNIDADE

Via Atlântico. Se bem contei, iam em quase cento e trinta assinaturas. Estou à vontade porque já não sou militante. Todavia, confesso que me dá um certo gozo ver este homem "dourar a pílula" até ao derradeiro dia para a apresentação das candidaturas. Da mesma forma que não me deu gozo algum aquele desfile de "notáveis" que apareceu à volta da "sacrificada" Ferreira Leite. Recordam-me, esses "notáveis" tocados pela eternidade, duas frases lapidares. A primeira, a famosa de Suetónio acerca de Júlio César: o homem de todas as mulheres e a mulher de todos os homens. A segunda, de um anónimo, acerca de demasiada gente: têm todas as qualidades do cão menos a lealdade.

28.4.08

HUMILDADE, BRIO, SENTIDO DE SERVIÇO?

Nojo, de facto. Da propaganda, da periferia aperaltada, da miséria dourada, do deslumbramento assaloiado, do artifício mortífero. Disto: "o Governo anunciou hoje, numa cerimónia em que o presidente da Câmara de Lisboa não esteve presente, um investimento de 407 milhões de euros numa intervenção ferroviária, através da criação de um novo nó em Alcântara, e outra intervenção portuária, com um novo terminal de contentores, cujas obras começam já e estarão concluídas em 2013." Bom contraste efectuado pelo leitor que, em comentário, escreveu:

«Tenho exactamente a mesma sensação desconfortável. Lembro-me de um discurso do Salazar a propósito de um acontecimento de 1937 em que as tripulações de dois navios da Armada se revoltaram e propuseram rumar do Tejo à Espanha Republicana, sendo ambos alvejados a partir da costa e travado o seu intento :

"Não há razão (...) para lamentar exageradamente os prejuízos sofridos nos barcos. É certo que a reorganização da Marinha de Guerra, cuja fase inicial há pouco se alcançou, constituiu a primeira grande realização do Estado Novo. Com aquelas doces lágrimas que são a pura essência da alegria, a boa gente portuguesa os viu chegar ou lançar à água nos estaleiros nacionais, por não só se reatar a nossa tradição marítima mas se haver dotado o País de novos instrumentos de força e de prestígio. Embora à custa do suor de todo o povo, com a clara consciência do dever se mandaram construir. Com a mesma imperturbável serenidade dei ordem para que fossem bombardeados até se renderem ou afundarem. A razão que se eleva acima de todos os sentimentos foi esta: os navios da Armada portuguesa podem ser metidos no fundo; mas não podem içar outra bandeira que não seja a de Portugal."

Eis um bonito excerto. Oxalá os governantes de hoje captem a humildade, o sentido de serviço e o brio que revela.

João Wemans»

HUMILDADE, BRIO, SENTIDO DE SERVIÇO?

Nojo, de facto. Da propaganda, da periferia aperaltada, da miséria dourada, do deslumbramento assaloiado, do artifício mortífero. Disto: "o Governo anunciou hoje, numa cerimónia em que o presidente da Câmara de Lisboa não esteve presente, um investimento de 407 milhões de euros numa intervenção ferroviária, através da criação de um novo nó em Alcântara, e outra intervenção portuária, com um novo terminal de contentores, cujas obras começam já e estarão concluídas em 2013." Bom contraste efectuado pelo leitor que, em comentário, escreveu:

«Tenho exactamente a mesma sensação desconfortável. Lembro-me de um discurso do Salazar a propósito de um acontecimento de 1937 em que as tripulações de dois navios da Armada se revoltaram e propuseram rumar do Tejo à Espanha Republicana, sendo ambos alvejados a partir da costa e travado o seu intento :

"Não há razão (...) para lamentar exageradamente os prejuízos sofridos nos barcos. É certo que a reorganização da Marinha de Guerra, cuja fase inicial há pouco se alcançou, constituiu a primeira grande realização do Estado Novo. Com aquelas doces lágrimas que são a pura essência da alegria, a boa gente portuguesa os viu chegar ou lançar à água nos estaleiros nacionais, por não só se reatar a nossa tradição marítima mas se haver dotado o País de novos instrumentos de força e de prestígio. Embora à custa do suor de todo o povo, com a clara consciência do dever se mandaram construir. Com a mesma imperturbável serenidade dei ordem para que fossem bombardeados até se renderem ou afundarem. A razão que se eleva acima de todos os sentimentos foi esta: os navios da Armada portuguesa podem ser metidos no fundo; mas não podem içar outra bandeira que não seja a de Portugal."

Eis um bonito excerto. Oxalá os governantes de hoje captem a humildade, o sentido de serviço e o brio que revela.

João Wemans»

MANUELA

Por uns segundos, vou fazer de conta que ainda sou militante do PSD. Manuela tocou "no ponto"? Tocou. Em registo fúnebre, mas tocou. Mais uns tempos deste circo e o país passava, de facto, a ignorar o PSD. Como referiu, nem sequer é certo que o país preste atenção a um PSD que não se dá ao respeito. Acontece que não é seguro que o circo tenha acabado ou que o ciclo da "falta de respeito" tenha chegado ao fim. O ressabiamento e o oportunismo têm forças que a razão desconhece. E não é em Jardim que penso. Jardim é um pragmático, como se verá. Ferreira Leite tem com ela alguns dos eternos "conselheiros Acácios" do partido, ou seja, que também o foram quando Santana significava poder. Lá estavam, aliás, dois ou três a oscular a candidata. Santana, o Zorro deste filme negro, deve ter registado. Nas próximas horas ou dias ver-se-á como.

MANUELA

Por uns segundos, vou fazer de conta que ainda sou militante do PSD. Manuela tocou "no ponto"? Tocou. Em registo fúnebre, mas tocou. Mais uns tempos deste circo e o país passava, de facto, a ignorar o PSD. Como referiu, nem sequer é certo que o país preste atenção a um PSD que não se dá ao respeito. Acontece que não é seguro que o circo tenha acabado ou que o ciclo da "falta de respeito" tenha chegado ao fim. O ressabiamento e o oportunismo têm forças que a razão desconhece. E não é em Jardim que penso. Jardim é um pragmático, como se verá. Ferreira Leite tem com ela alguns dos eternos "conselheiros Acácios" do partido, ou seja, que também o foram quando Santana significava poder. Lá estavam, aliás, dois ou três a oscular a candidata. Santana, o Zorro deste filme negro, deve ter registado. Nas próximas horas ou dias ver-se-á como.

SE ISTO É UM PARTIDO

Pelo Pedro Correia. "É consolador ver como tantos “salvadores” potenciais, na hora da verdade, assobiam para o lado e esperam que seja o vizinho ou a vizinha a avançar. Isto diz tudo sobre tais “notáveis”: quando a luta aquece, ei-los ausentes em parte incerta. É isto um partido. E nunca a expressão “partido” teve aqui tanto cabimento como agora."

SE ISTO É UM PARTIDO

Pelo Pedro Correia. "É consolador ver como tantos “salvadores” potenciais, na hora da verdade, assobiam para o lado e esperam que seja o vizinho ou a vizinha a avançar. Isto diz tudo sobre tais “notáveis”: quando a luta aquece, ei-los ausentes em parte incerta. É isto um partido. E nunca a expressão “partido” teve aqui tanto cabimento como agora."

MEMÓRIA DE ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR



Celebra-se hoje o aniversário do nascimento de António de Oliveira Salazar. Em tempos de crise partidária, de amoralidade política e de mimetismos autoritários em versão democrática, parece-me pedagógico - outra vez a "juventude" - lembrar aquele que é, ainda agora, para o bem e para o mal, a "referência" do Portugal contemporâneo. Tal como toda a gente foi "soarista" uma vez na sua vida "abrilista" ou pré, também toda a gente terá sido "salazarista", ou anti, uma vez qualquer, por motivos distintos. Quem foi, então, António de Oliveira Salazar? Nasceu no dia 28 de Abril de 1889. Apenas com 22 anos, já era um polémico cronista de O Imparcial, o jornal do Centro Académico da Democracia Cristã de Coimbra, com o pseudónimo de Alves da Silva, por causa da ditadura republicana. É aí que estabelece os "princípios orientadores". Atribuir, em qualquer regime, limitações de carácter moral ao Estado, considerar essencial o problema educativo, advertir que a vida política se funde num todo de que faz parte a vida civil, religiosa e administrativa, a defesa de uma hierarquia e um conceito de função nacional, eis, em resumo, os registos que nunca abandonou. A ditadura de Afonso Costa suspendeu-o do exercício de funções docentes, na Universidade de Coimbra, em 1919, com a acusação de que fazia “propaganda contra o regime republicano”. Foi reintegrado após um inquérito onde se defendeu com o opúsculo A minha defesa. Em 1921, desce ao Parlamento em Lisboa onde ficou apenas um dia, após uma campanha em que definiu o essencial do “problema português”: carência solidária de competência, direcção e valores. No final da Guerra 14-18, Salazar torna-se conhecido na opinião pública e na opinião que se publica pela sua competência académica, por afirmar, sem tergiversações, a insuficiência da política, pelas suas opiniões acerca da necessidade de habilitações dos quadros administrativos, pela defesa do fortalecimento da direcção do Estado, sem prejuízo da sua dependência da moral e da lei, o que o afastava do totalitarismo então em voga. Reconhece como menor qualquer solução política que subalternizasse a solução de problemas mais profundos ou os desse como implícitos na política. Influenciado por Charles Maurras, Salazar é o doutrinador pré-político que dava a primazia à sociedade como um todo e que execrava os que a viam como mero somatório de votos. Como ministro das finanças, em 1928, equaciona "os problemas" do país numa “ordem” que ficará célebre: o financeiro, o económico, o social e o político. Sobre este último, Salazar é claríssimo: “é impossível admitir que este país arraste uma existência miserável entre dois únicos governos – demagogia e ditadura mais ou menos parlamentar”. O regime da Constituição de 1933 estaria, assim, para além do individualismo, do socialismo e do parlamentarismo, com a preponderância do executivo e a concepção de um Estado forte, subordinado à moral, ao direito e ao conceito de nação. A União Nacional, organismo político não partidário, é a resposta, no plano da “sociedade civil”, aos propósitos institucionais. Estava criado o Estado Novo que assentava fundamentalmente na indiscutível autoridade do chefe do governo - Salazar - alicerçada na obra já realizada frente a uma oposição que não desarmava e que, por isso, era alvo de medidas repressivas por “divergência de opinião”. A situação internacional – com a emergência dos totalitarismos na Europa e na URSS -, a referida autoridade e a contenção do protesto interno dão a Salazar as condições para exercer um poder não escrutinado que, apesar disso, gerava confiança e apoio seguros. A evolução na ordem interna e externa leva-o a, primeiro, acumular a pasta da Guerra e, subsequentemente, a dos Negócios Estrangeiros que dirigiu até 1947: adaptação às emergências sem quebra de unidade política nacional própria. Salazar garantiu a sobrevivência nacional “cobrindo” diplomaticamente as duas fronteiras, a marítima, pelo reforço da Aliança Inglesa, e a terrestre, pelo Pacto Ibérico de 1939 assinado com o novo regime de Franco. “Não queremos eximir-nos a confirmar em momento tão grave a aliança inglesa”, escrevia Salazar numa nota oficiosa de Setembro de 1939, bem como, depois da invasão da Polónia pelas tropas nazis, dirigiu uma palavra de “funda simpatia à nação polaca à qual queremos prestar a homenagem devida ao seu heróico sacrifício e ao seu patriotismo”. Em 40, assina a Concordata e o Acordo Missionário com a Santa Sé. E recebe, no ano seguinte, o grau de doutor honoris causa em Direito Civil pela Universidade de Oxford. Em 43, dá-se a cedência das bases aéreas dos Açores aos aliados. Com o fim da II Guerra, a paz configura uma conjuntura internacional completamente diferente daquela em que Salazar começara a trabalhar. As concepções originárias iam ser postas em causa. A oposição queria eleições. Teve-as e, naturalmente, perdeu-as. A táctica de Salazar consistiu em salientar a alternativa da escolha entre o seu governo e o regime anterior - a ditadura republicana - inventariando os seus “perigos”, apesar da carência de uma política económica e educativa e da insuficiência diplomática da Aliança Inglesa. É neste contexto que, logo em 49, Portugal adere à NATO e são ponderados novos problemas: o fomento industrial, a eventual não aceitação internacional do regime agravada pela ausência de opções políticas internas reais e o problema da errada pirâmide da distribuição dos rendimentos. A insatisfação interna teve o seu auge com a candidatura do antigo serventuário do regime, o General Humberto Delgado. Agrava-se com a questão ultramarina, primeiro com a ocupação de Goa pela Índia, depois com o terrorismo nas colónias africanas. Por isso, Salazar regressa, em 1961, à pasta da Defesa, e transforma a solução dos problemas do Ultramar no objectivo fundamental para a continuação da comunidade nacional, descurando todo o resto. Era aí que estava, não exactamente iludido acerca da natureza humana e do mundo, quando o acidente de São Pedro do Estoril o surpreendeu, em 1968. Foi substituído nas funções de presidente do Conselho em 27 de Setembro do mesmo ano e faleceu no dia 27 de Julho de 1970. No último ano de lucidez, Salazar recebeu por diversas vezes o seu ministro dos Estrangeiros, Franco Nogueira. "Todos os dias, quase a todas as horas, vejo o fim da minha vida", confessou-lhe em Abril. E, já depois da queda fatal no Estoril, ainda lhe disse: "no dia em que eu abandonar o poder, quem voltar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó". Quando morreu, tinha, na única conta que possuia e onde lhe era depositado o ordenado, cinquenta contos. Salazar apareceu depois da ditadura da República - contra ela -, ficou à frente da sua durante quase meio século, gerou toda a oposição ao Estado Novo, desde o PC até à oposição "burguesa" - a do exílio e a das prisões - e "fermentou" as Forças Armadas da "guerra colonial" que o derrubaram depois de morto. A diferença entre Salazar e as "elites" ditas democráticas é que, sendo todos manhosos, a manha de Salazar não lhe "puxava" para a trafulhice e para a cupidez insaciável. O século XX, português e político, foi o século de Salazar. E a estupidez revolucionária de apagar vestígios em pontes, estátuas e ruas, não rasurou a coisa.

MEMÓRIA DE ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR



Celebra-se hoje o aniversário do nascimento de António de Oliveira Salazar. Em tempos de crise partidária, de amoralidade política e de mimetismos autoritários em versão democrática, parece-me pedagógico - outra vez a "juventude" - lembrar aquele que é, ainda agora, para o bem e para o mal, a "referência" do Portugal contemporâneo. Tal como toda a gente foi "soarista" uma vez na sua vida "abrilista" ou pré, também toda a gente terá sido "salazarista", ou anti, uma vez qualquer, por motivos distintos. Quem foi, então, António de Oliveira Salazar? Nasceu no dia 28 de Abril de 1889. Apenas com 22 anos, já era um polémico cronista de O Imparcial, o jornal do Centro Académico da Democracia Cristã de Coimbra, com o pseudónimo de Alves da Silva, por causa da ditadura republicana. É aí que estabelece os "princípios orientadores". Atribuir, em qualquer regime, limitações de carácter moral ao Estado, considerar essencial o problema educativo, advertir que a vida política se funde num todo de que faz parte a vida civil, religiosa e administrativa, a defesa de uma hierarquia e um conceito de função nacional, eis, em resumo, os registos que nunca abandonou. A ditadura de Afonso Costa suspendeu-o do exercício de funções docentes, na Universidade de Coimbra, em 1919, com a acusação de que fazia “propaganda contra o regime republicano”. Foi reintegrado após um inquérito onde se defendeu com o opúsculo A minha defesa. Em 1921, desce ao Parlamento em Lisboa onde ficou apenas um dia, após uma campanha em que definiu o essencial do “problema português”: carência solidária de competência, direcção e valores. No final da Guerra 14-18, Salazar torna-se conhecido na opinião pública e na opinião que se publica pela sua competência académica, por afirmar, sem tergiversações, a insuficiência da política, pelas suas opiniões acerca da necessidade de habilitações dos quadros administrativos, pela defesa do fortalecimento da direcção do Estado, sem prejuízo da sua dependência da moral e da lei, o que o afastava do totalitarismo então em voga. Reconhece como menor qualquer solução política que subalternizasse a solução de problemas mais profundos ou os desse como implícitos na política. Influenciado por Charles Maurras, Salazar é o doutrinador pré-político que dava a primazia à sociedade como um todo e que execrava os que a viam como mero somatório de votos. Como ministro das finanças, em 1928, equaciona "os problemas" do país numa “ordem” que ficará célebre: o financeiro, o económico, o social e o político. Sobre este último, Salazar é claríssimo: “é impossível admitir que este país arraste uma existência miserável entre dois únicos governos – demagogia e ditadura mais ou menos parlamentar”. O regime da Constituição de 1933 estaria, assim, para além do individualismo, do socialismo e do parlamentarismo, com a preponderância do executivo e a concepção de um Estado forte, subordinado à moral, ao direito e ao conceito de nação. A União Nacional, organismo político não partidário, é a resposta, no plano da “sociedade civil”, aos propósitos institucionais. Estava criado o Estado Novo que assentava fundamentalmente na indiscutível autoridade do chefe do governo - Salazar - alicerçada na obra já realizada frente a uma oposição que não desarmava e que, por isso, era alvo de medidas repressivas por “divergência de opinião”. A situação internacional – com a emergência dos totalitarismos na Europa e na URSS -, a referida autoridade e a contenção do protesto interno dão a Salazar as condições para exercer um poder não escrutinado que, apesar disso, gerava confiança e apoio seguros. A evolução na ordem interna e externa leva-o a, primeiro, acumular a pasta da Guerra e, subsequentemente, a dos Negócios Estrangeiros que dirigiu até 1947: adaptação às emergências sem quebra de unidade política nacional própria. Salazar garantiu a sobrevivência nacional “cobrindo” diplomaticamente as duas fronteiras, a marítima, pelo reforço da Aliança Inglesa, e a terrestre, pelo Pacto Ibérico de 1939 assinado com o novo regime de Franco. “Não queremos eximir-nos a confirmar em momento tão grave a aliança inglesa”, escrevia Salazar numa nota oficiosa de Setembro de 1939, bem como, depois da invasão da Polónia pelas tropas nazis, dirigiu uma palavra de “funda simpatia à nação polaca à qual queremos prestar a homenagem devida ao seu heróico sacrifício e ao seu patriotismo”. Em 40, assina a Concordata e o Acordo Missionário com a Santa Sé. E recebe, no ano seguinte, o grau de doutor honoris causa em Direito Civil pela Universidade de Oxford. Em 43, dá-se a cedência das bases aéreas dos Açores aos aliados. Com o fim da II Guerra, a paz configura uma conjuntura internacional completamente diferente daquela em que Salazar começara a trabalhar. As concepções originárias iam ser postas em causa. A oposição queria eleições. Teve-as e, naturalmente, perdeu-as. A táctica de Salazar consistiu em salientar a alternativa da escolha entre o seu governo e o regime anterior - a ditadura republicana - inventariando os seus “perigos”, apesar da carência de uma política económica e educativa e da insuficiência diplomática da Aliança Inglesa. É neste contexto que, logo em 49, Portugal adere à NATO e são ponderados novos problemas: o fomento industrial, a eventual não aceitação internacional do regime agravada pela ausência de opções políticas internas reais e o problema da errada pirâmide da distribuição dos rendimentos. A insatisfação interna teve o seu auge com a candidatura do antigo serventuário do regime, o General Humberto Delgado. Agrava-se com a questão ultramarina, primeiro com a ocupação de Goa pela Índia, depois com o terrorismo nas colónias africanas. Por isso, Salazar regressa, em 1961, à pasta da Defesa, e transforma a solução dos problemas do Ultramar no objectivo fundamental para a continuação da comunidade nacional, descurando todo o resto. Era aí que estava, não exactamente iludido acerca da natureza humana e do mundo, quando o acidente de São Pedro do Estoril o surpreendeu, em 1968. Foi substituído nas funções de presidente do Conselho em 27 de Setembro do mesmo ano e faleceu no dia 27 de Julho de 1970. No último ano de lucidez, Salazar recebeu por diversas vezes o seu ministro dos Estrangeiros, Franco Nogueira. "Todos os dias, quase a todas as horas, vejo o fim da minha vida", confessou-lhe em Abril. E, já depois da queda fatal no Estoril, ainda lhe disse: "no dia em que eu abandonar o poder, quem voltar os meus bolsos do avesso, só encontrará pó". Quando morreu, tinha, na única conta que possuia e onde lhe era depositado o ordenado, cinquenta contos. Salazar apareceu depois da ditadura da República - contra ela -, ficou à frente da sua durante quase meio século, gerou toda a oposição ao Estado Novo, desde o PC até à oposição "burguesa" - a do exílio e a das prisões - e "fermentou" as Forças Armadas da "guerra colonial" que o derrubaram depois de morto. A diferença entre Salazar e as "elites" ditas democráticas é que, sendo todos manhosos, a manha de Salazar não lhe "puxava" para a trafulhice e para a cupidez insaciável. O século XX, português e político, foi o século de Salazar. E a estupidez revolucionária de apagar vestígios em pontes, estátuas e ruas, não rasurou a coisa.

27.4.08

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO


Em 2002, para garantir um módico de respeitabilidade a um governo impreparado, Barroso colocou Manuela Ferreira Leite nas finanças. À altura, na TVI, Marcelo diria a propósito desta escolha que "quem não tem cão caça com gato". Há pouco, na RTP, Marcelo, "o militante de base", afirmou apoiar a mesmíssima Manuela Ferreira Leite para líder do PSD e, consequentemente, como candidata ao lugar de primeiro-ministro. Quem não tem cão caça com gato.

Adenda: Ao fim da tarde, apareceu também o Zorro, vulgo Santana Lopes, não fosse o bom do militante esquecer-se dele. Preparem-se porque vai haver disto, dia sim dia não, até às "directas", a menos que alguém lhe consiga meter algum bom senso na cabeça.

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO


Em 2002, para garantir um módico de respeitabilidade a um governo impreparado, Barroso colocou Manuela Ferreira Leite nas finanças. À altura, na TVI, Marcelo diria a propósito desta escolha que "quem não tem cão caça com gato". Há pouco, na RTP, Marcelo, "o militante de base", afirmou apoiar a mesmíssima Manuela Ferreira Leite para líder do PSD e, consequentemente, como candidata ao lugar de primeiro-ministro. Quem não tem cão caça com gato.

Adenda: Ao fim da tarde, apareceu também o Zorro, vulgo Santana Lopes, não fosse o bom do militante esquecer-se dele. Preparem-se porque vai haver disto, dia sim dia não, até às "directas", a menos que alguém lhe consiga meter algum bom senso na cabeça.

NÃO HÁ RAPAZES MAUS?


"Juventude" é um conceito ambíguo. Veja-se o PSD. Ferreira Leite é, num certo sentido, mais "nova" que Passos Coelho. Nunca foi tarimbeira. Sempre teve uma profissão. E nem sequer foi feliz nas encarnações partidárias ou governamentais, apesar da seriedade, da credibilidade e bla-bla-bla. Jardim, se for candidato, será de longe o mais "jovem" já que, pela primeira vez, um líder regional "cresceria" para o país, contra o regime representado pelos outros candidatos e pelo PS. No PS, amansado pelo absolutismo "socrático", só permanecem "jovens" dois ou três mais velhos e fora de jogo: Medeiros Ferreira, Carrilho ou o Soares pré-terceira candidatura presidencial. Soares, presentemente, é, aliás, o mais "infantil" destes três. No PC nunca ninguém é, por natureza, "jovem". No PP levam-se demasiado a sério, apesar das idades, para serem considerados "jovens". E o BE é o próprio "elixir" idiota da "juventude". Insistir no "afastamento da juventude", como tema político, é bater no ceguinho. O João Miranda enuncia com clareza o que é a "juventude" da nossa pobre democracia. A língua de pau das "juventudes", sobretudo as partidárias, produziu, em parte, este regime já com trinta e quatro anos. De um lado estão os "autistas sociais e culturais", do outro os caciques "empenhados" que nos pastoreiam. Não há mesmo rapazes maus?

NÃO HÁ RAPAZES MAUS?


"Juventude" é um conceito ambíguo. Veja-se o PSD. Ferreira Leite é, num certo sentido, mais "nova" que Passos Coelho. Nunca foi tarimbeira. Sempre teve uma profissão. E nem sequer foi feliz nas encarnações partidárias ou governamentais, apesar da seriedade, da credibilidade e bla-bla-bla. Jardim, se for candidato, será de longe o mais "jovem" já que, pela primeira vez, um líder regional "cresceria" para o país, contra o regime representado pelos outros candidatos e pelo PS. No PS, amansado pelo absolutismo "socrático", só permanecem "jovens" dois ou três mais velhos e fora de jogo: Medeiros Ferreira, Carrilho ou o Soares pré-terceira candidatura presidencial. Soares, presentemente, é, aliás, o mais "infantil" destes três. No PC nunca ninguém é, por natureza, "jovem". No PP levam-se demasiado a sério, apesar das idades, para serem considerados "jovens". E o BE é o próprio "elixir" idiota da "juventude". Insistir no "afastamento da juventude", como tema político, é bater no ceguinho. O João Miranda enuncia com clareza o que é a "juventude" da nossa pobre democracia. A língua de pau das "juventudes", sobretudo as partidárias, produziu, em parte, este regime já com trinta e quatro anos. De um lado estão os "autistas sociais e culturais", do outro os caciques "empenhados" que nos pastoreiam. Não há mesmo rapazes maus?

O REINO DA ESTUPIDEZ


Na Ovibeja - lindo nome - ouvi o Paulo Portas descrever um "procedimento" confidencial seguido pelos rapazes da ASAE do Norte digno dos planos quinquenais do velho Estaline. Não estão, no entanto, sós. Segundo o DN, também os inspectores da PJ vão ser avaliados de acordo com "objectivos" quantitativos, a saber, quantas mais investigações levarem a acusação, melhor para a "carreirinha" deles. Para os da ASAE é o costume: mais contra-ordenações, mais detenções, mais estabelecimentos fechados constituem o "quadro de honra". O sr. Nunes veio desmentir mas, quem conhece minimamente o Estado e os organismos de controlo, sabe como apreciam estar "na vanguarda" de quem manda. Até porque não é certo que quem manda "mande" precisamente aquilo. O cânone dos "objectivos", a obsessão pela "avaliação" e pelo "mérito" são jargões maravilhosos que resultam - quando resultam - em sociedades que conseguiram "acantonar" minimamente a estupidez. Num país primitivo, alérgico às liberdades, gerido por pessoal "intermédio" formado na subserviência e no "agrado" e em que a "avaliação" está, em geral, nas mãos de gente ignorante e invejosa ou assenta em pressupostos risíveis, é, no fundo, a estupidez quem oficia. Segundo Carlo Cipolla, existem cinco "leis" que definem o "comportamento estúpido". A primeira, diz-nos que "cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação". A segunda, ensina-nos que "a probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa". A terceira, define a pessoa estúpida como aquela "que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo, até, vir a sofrer um prejuízo". A quarta, alerta para o facto de "as pessoas não estúpidas subestimarem sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas", isto é, "os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro". Finalmente a "quinta lei" chama a atenção para o óbvio: a pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe (sublinhado meu). Conclui Cipolla - e eu com ele - que "as pessoas estúpidas causam perdas a outras pessoas sem que obtenham vantagens para si próprias" já que ninguém lhes agradece o zelo e o "mérito". Todavia, elas andam e mandam por aí.

O REINO DA ESTUPIDEZ


Na Ovibeja - lindo nome - ouvi o Paulo Portas descrever um "procedimento" confidencial seguido pelos rapazes da ASAE do Norte digno dos planos quinquenais do velho Estaline. Não estão, no entanto, sós. Segundo o DN, também os inspectores da PJ vão ser avaliados de acordo com "objectivos" quantitativos, a saber, quantas mais investigações levarem a acusação, melhor para a "carreirinha" deles. Para os da ASAE é o costume: mais contra-ordenações, mais detenções, mais estabelecimentos fechados constituem o "quadro de honra". O sr. Nunes veio desmentir mas, quem conhece minimamente o Estado e os organismos de controlo, sabe como apreciam estar "na vanguarda" de quem manda. Até porque não é certo que quem manda "mande" precisamente aquilo. O cânone dos "objectivos", a obsessão pela "avaliação" e pelo "mérito" são jargões maravilhosos que resultam - quando resultam - em sociedades que conseguiram "acantonar" minimamente a estupidez. Num país primitivo, alérgico às liberdades, gerido por pessoal "intermédio" formado na subserviência e no "agrado" e em que a "avaliação" está, em geral, nas mãos de gente ignorante e invejosa ou assenta em pressupostos risíveis, é, no fundo, a estupidez quem oficia. Segundo Carlo Cipolla, existem cinco "leis" que definem o "comportamento estúpido". A primeira, diz-nos que "cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação". A segunda, ensina-nos que "a probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa". A terceira, define a pessoa estúpida como aquela "que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo, até, vir a sofrer um prejuízo". A quarta, alerta para o facto de "as pessoas não estúpidas subestimarem sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas", isto é, "os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro". Finalmente a "quinta lei" chama a atenção para o óbvio: a pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe (sublinhado meu). Conclui Cipolla - e eu com ele - que "as pessoas estúpidas causam perdas a outras pessoas sem que obtenham vantagens para si próprias" já que ninguém lhes agradece o zelo e o "mérito". Todavia, elas andam e mandam por aí.

26.4.08

DA PERDA



«Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.» Aos vinte e pouco anos, este "final" do replicante não pesava. Agora soa demasiado "humano" precisamente por se saber que, na realidade, se perde.

DA PERDA



«Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.» Aos vinte e pouco anos, este "final" do replicante não pesava. Agora soa demasiado "humano" precisamente por se saber que, na realidade, se perde.

O LIVRO POR VIR


O Rui Costa Pinto tem uma editora. Já tinha um blogue e é um grande jornalista. Promete-nos, para 2009, uma "biografia" de José Sócrates, "o homem e o líder". O vazio da página é já um sinal?

O LIVRO POR VIR


O Rui Costa Pinto tem uma editora. Já tinha um blogue e é um grande jornalista. Promete-nos, para 2009, uma "biografia" de José Sócrates, "o homem e o líder". O vazio da página é já um sinal?

SOL E SOMBRA

Filipe Nunes Vicente. Por exemplo, no caso da dra. Leite, vai ser interessante observar como uma "sombra" (António Preto) joga com o "sol" (Pacheco Pereira) ou vice-versa.

SOL E SOMBRA

Filipe Nunes Vicente. Por exemplo, no caso da dra. Leite, vai ser interessante observar como uma "sombra" (António Preto) joga com o "sol" (Pacheco Pereira) ou vice-versa.

PENA

Gosto, sempre o disse, de Santana Lopes. Pessoalmente acho-lhe graça. Aquilo que não fez, como devia, em 2004 - passar pelo sufrágio dos seus "companheiros" antes de se prestar, na secretaria, a ser 1º ministro -, está agora disposto a fazer porque, como lembrou VPV, precisa de "espaço" para colocar os seus "fiéis" nas listas de deputados. Começou como de costume. Mal, armado em "vítima" e embrulhado no habitual "tricot" do "diz-que-disse" e do que dizem dele nos jornais. E logo agora que "ia" bem no parlamento. Não aprendeu nem esqueceu nada. É pena.

PENA

Gosto, sempre o disse, de Santana Lopes. Pessoalmente acho-lhe graça. Aquilo que não fez, como devia, em 2004 - passar pelo sufrágio dos seus "companheiros" antes de se prestar, na secretaria, a ser 1º ministro -, está agora disposto a fazer porque, como lembrou VPV, precisa de "espaço" para colocar os seus "fiéis" nas listas de deputados. Começou como de costume. Mal, armado em "vítima" e embrulhado no habitual "tricot" do "diz-que-disse" e do que dizem dele nos jornais. E logo agora que "ia" bem no parlamento. Não aprendeu nem esqueceu nada. É pena.

25.4.08

TRINTA E QUATRO ANOS DISTO

O PR está "impressionado" com a ignorância da juventude acerca do "25". Também o incomoda a "notória insatisfação" dos portugueses com a sua democracia. De que é que estava à espera?

TRINTA E QUATRO ANOS DISTO

O PR está "impressionado" com a ignorância da juventude acerca do "25". Também o incomoda a "notória insatisfação" dos portugueses com a sua democracia. De que é que estava à espera?

25 DE ABRIL


Contrariamente ao que parece, não há nenhuma candidatura formalizada à presidência do PSD . Nada como esperar até 16 de Maio.

25 DE ABRIL


Contrariamente ao que parece, não há nenhuma candidatura formalizada à presidência do PSD . Nada como esperar até 16 de Maio.

23.4.08

OS PAPAGAIOS DO REGIME

Não sei quem são o sr. Carreiras e o sr. Marco António, dirigentes distritais do PSD. Mas não sei em que é que eles "valem" menos que os dois papagaios do dr. Balsemão - o sr. Monteiro e o sr. Costa - que os "avaliaram", com desdém, na SIC-Notícias.

OS PAPAGAIOS DO REGIME

Não sei quem são o sr. Carreiras e o sr. Marco António, dirigentes distritais do PSD. Mas não sei em que é que eles "valem" menos que os dois papagaios do dr. Balsemão - o sr. Monteiro e o sr. Costa - que os "avaliaram", com desdém, na SIC-Notícias.

O MAL AMADO


As "inteligências" rosnam, com uma espécie de boçalidade sofisticada, assim que é mencionado o nome de Alberto João Jardim. Acontece que Jardim tem sido o único social-democrata a dar motivos de orgulho ao partido a que pertence. Tem um currículo político invejável, sufragado anos a fio pelos seus eleitores. É um governante com experiência, persistência e obra. Quando era 1º vice-presidente de Marcelo, andou um pouco por todo o "continente". Sabe que não é propriamente "amado" por aqui. E é, julgo eu, quanto basta.

O MAL AMADO


As "inteligências" rosnam, com uma espécie de boçalidade sofisticada, assim que é mencionado o nome de Alberto João Jardim. Acontece que Jardim tem sido o único social-democrata a dar motivos de orgulho ao partido a que pertence. Tem um currículo político invejável, sufragado anos a fio pelos seus eleitores. É um governante com experiência, persistência e obra. Quando era 1º vice-presidente de Marcelo, andou um pouco por todo o "continente". Sabe que não é propriamente "amado" por aqui. E é, julgo eu, quanto basta.

LER LITTELL


Não faço parte de nenhuma seita ou mandarinato. Muito menos "escrevo". Consequentemente não chafurdo na feira de vaidades do "meio". No entanto, leio. O Francisco José Viegas, com muita generosidade, achou que eu podia dar duas ou três razões - na revista Ler à qual regressou como director - para o leitor se aventurar n' As Benevolentes, de Jonathan Littell. Todavia, I am not my own subject. O que vale mesmo a pena são as novecentas páginas de Littell e a Ler, em geral, cujo número de Maio "saiu" hoje.

LER LITTELL


Não faço parte de nenhuma seita ou mandarinato. Muito menos "escrevo". Consequentemente não chafurdo na feira de vaidades do "meio". No entanto, leio. O Francisco José Viegas, com muita generosidade, achou que eu podia dar duas ou três razões - na revista Ler à qual regressou como director - para o leitor se aventurar n' As Benevolentes, de Jonathan Littell. Todavia, I am not my own subject. O que vale mesmo a pena são as novecentas páginas de Littell e a Ler, em geral, cujo número de Maio "saiu" hoje.

O SILÊNCIO DOS PORTUGUESES



Este sujeito imagina que, por ter promovido duas ou três reuniões íntimas, passou a haver um "grande consenso político e social" sobre o "tratado de Lisboa". O que ele nunca explicou foi a perda que objectivamente o "tratado" representa para os países "médios" da União, ou seja, para países como o nosso. Sócrates teve os seus quinze minutos de fama internacional mas, irresponsavelmente, não deu uma palavra aos portugueses sobre o que estava em causa, refugiando-se em trivialidades "consensuais". As repercussões do que os senhores deputados votaram, sem um módico de reflexão, só se farão sentir lá mais para diante, provavelmente quando Sócrates constar do rodapé num almanaque da história. A menorização a que os povos europeus se prestaram, não referendando o "tratado", é a prova da "consideração democrática" em que os seus césares de circunstância os têm. A Irlanda vota porque está na constituição, senão também estaria metida neste embuste. Portugal aprovou a "constituição europeia" - sem hino, bandeira e "lema"- travestida de "tratado de Lisboa", a coroa de glória de Sócrates. Agarre-se a ela porque não terá outra.

Adenda: Não reconheço ao 1º ministro, seja lá ele quem for, qualquer tipo de "superioridade" intelectual, política ou outra para passar atestados de anti-europeísmo a quem não defende o "seu" tratado de Lisboa. Já sabia que Sócrates não é homem de cultura democrática. Não precisava de o recordar constantemente.

O SILÊNCIO DOS PORTUGUESES



Este sujeito imagina que, por ter promovido duas ou três reuniões íntimas, passou a haver um "grande consenso político e social" sobre o "tratado de Lisboa". O que ele nunca explicou foi a perda que objectivamente o "tratado" representa para os países "médios" da União, ou seja, para países como o nosso. Sócrates teve os seus quinze minutos de fama internacional mas, irresponsavelmente, não deu uma palavra aos portugueses sobre o que estava em causa, refugiando-se em trivialidades "consensuais". As repercussões do que os senhores deputados votaram, sem um módico de reflexão, só se farão sentir lá mais para diante, provavelmente quando Sócrates constar do rodapé num almanaque da história. A menorização a que os povos europeus se prestaram, não referendando o "tratado", é a prova da "consideração democrática" em que os seus césares de circunstância os têm. A Irlanda vota porque está na constituição, senão também estaria metida neste embuste. Portugal aprovou a "constituição europeia" - sem hino, bandeira e "lema"- travestida de "tratado de Lisboa", a coroa de glória de Sócrates. Agarre-se a ela porque não terá outra.

Adenda: Não reconheço ao 1º ministro, seja lá ele quem for, qualquer tipo de "superioridade" intelectual, política ou outra para passar atestados de anti-europeísmo a quem não defende o "seu" tratado de Lisboa. Já sabia que Sócrates não é homem de cultura democrática. Não precisava de o recordar constantemente.

PASSOS COELHO


Entre outras qualidades, aprecio o JPP pela sua capacidade de síntese.

PASSOS COELHO


Entre outras qualidades, aprecio o JPP pela sua capacidade de síntese.

O DIA DO LIVRO


Hoje, discretamente, o parlamento vota o tratado de Lisboa. Alguns dos que vão votar - os deputados - nunca devem ter lido um livro na vida, muito menos esta coisa que "enxerta" prosa intragável nos tratados fundadores da União. Sempre é uma forma de, no dia do livro, lerem qualquer coisinha. Mesmo que não percebam nada.

O DIA DO LIVRO


Hoje, discretamente, o parlamento vota o tratado de Lisboa. Alguns dos que vão votar - os deputados - nunca devem ter lido um livro na vida, muito menos esta coisa que "enxerta" prosa intragável nos tratados fundadores da União. Sempre é uma forma de, no dia do livro, lerem qualquer coisinha. Mesmo que não percebam nada.

22.4.08

O TERCEIRO HOMEM


Esta peripécia "laranja" perde muito em não se decidir em congresso. As "directas" só resultam se o país se interessar minimamente por elas como se interessou minimamente pelas do PS, em 2004. Umas "directas" com Santana Lopes teriam infinitamente mais graça do que apenas com os monos anunciados. Eu, que não voto, faço votos para que ele apareça.

O TERCEIRO HOMEM


Esta peripécia "laranja" perde muito em não se decidir em congresso. As "directas" só resultam se o país se interessar minimamente por elas como se interessou minimamente pelas do PS, em 2004. Umas "directas" com Santana Lopes teriam infinitamente mais graça do que apenas com os monos anunciados. Eu, que não voto, faço votos para que ele apareça.

"OS CATÓLICOS E A POLÍTICA"

«A verdadeira tolerância, no entanto, é a que assenta na fortaleza das próprias convicções e os católicos não têm que ter uma atitude política passiva, clandestina, dividida, pessimista e subalterna. Não têm que deixar “laicizar” a mais importante parte do seu campo de consciência e acção – aquele que tem a ver com a “substância” e as “expressões” mais elevadas do seu ser social. A geral fraqueza da sociedade civil portuguesa não ajuda. Contribui mesmo para a perda das últimas certezas dessa sociedade. A concepção dominante da História é ainda demasiado imediatista e é nesse contexto que se explica o activismo, dirigismo e crescimento do Estado como único arrimo para a erosão da consciência política colectiva. Mas há que reagir e os católicos, com a Igreja, podem bem ser a parte mais sólida dessa recuperação da sociedade civil. Até como via para reabilitar a política e evitar que esta continue a ser um puro jogo de superfície, onde a própria renovação “ética” acabe por se transformar numa nova demagogia. Talvez a renovação “moral”, a partir da sociedade real e dos seus valores profundos, entranhadamente cristãos, seja afinal mais simples e mais eficaz do que a renovação “ética”, a partir, outra vez, dos modelos da Revolução, do Estado e dos seus partidos.»


"OS CATÓLICOS E A POLÍTICA"

«A verdadeira tolerância, no entanto, é a que assenta na fortaleza das próprias convicções e os católicos não têm que ter uma atitude política passiva, clandestina, dividida, pessimista e subalterna. Não têm que deixar “laicizar” a mais importante parte do seu campo de consciência e acção – aquele que tem a ver com a “substância” e as “expressões” mais elevadas do seu ser social. A geral fraqueza da sociedade civil portuguesa não ajuda. Contribui mesmo para a perda das últimas certezas dessa sociedade. A concepção dominante da História é ainda demasiado imediatista e é nesse contexto que se explica o activismo, dirigismo e crescimento do Estado como único arrimo para a erosão da consciência política colectiva. Mas há que reagir e os católicos, com a Igreja, podem bem ser a parte mais sólida dessa recuperação da sociedade civil. Até como via para reabilitar a política e evitar que esta continue a ser um puro jogo de superfície, onde a própria renovação “ética” acabe por se transformar numa nova demagogia. Talvez a renovação “moral”, a partir da sociedade real e dos seus valores profundos, entranhadamente cristãos, seja afinal mais simples e mais eficaz do que a renovação “ética”, a partir, outra vez, dos modelos da Revolução, do Estado e dos seus partidos.»


SARAMAGO, O "ESPÍRITO CRÍTICO"

Que engraçado que ele é. Com que então "falta espírito crítico" e é preciso "remar contra a maré"... Pena é que, quando foi da direcção do Diário de Notícias, não pensasse assim. Os jornalistas que, lá dentro, tinham "espírito crítico" e remavam "contra a maré", devem lembrar-se perfeitamente da "generosidade" do sr. Saramago. Ainda bem que está melhor de saúde, mas não havia necessidade para mais uma sessão de pura bajulação.

SARAMAGO, O "ESPÍRITO CRÍTICO"

Que engraçado que ele é. Com que então "falta espírito crítico" e é preciso "remar contra a maré"... Pena é que, quando foi da direcção do Diário de Notícias, não pensasse assim. Os jornalistas que, lá dentro, tinham "espírito crítico" e remavam "contra a maré", devem lembrar-se perfeitamente da "generosidade" do sr. Saramago. Ainda bem que está melhor de saúde, mas não havia necessidade para mais uma sessão de pura bajulação.

ELA DISSE QUE SIM


Morais Sarmento, Arnaut, Rio, Aguiar-Branco e Pacheco Pereira, reunidos na casa de Ferreira Leite, "combinaram" que a senhora "avança" - talvez segunda-feira - para o lugar que ainda é de Menezes. Sarmento e Arnaut, apesar da idade, representam primorosamente o ranço "barrosista". Aguiar-Branco (desta vez não me esqueci do hífen) não representa nada. Rio representa-se a ele mesmo quando quiser e Pacheco faz de "animador cultural" da mulher que tem escasso métier "para além do défice". Ferreira Leite é, para já, apenas uma candidata a "passar" a prova das bases. Se a passar, segue-se o país. Aqui, ela é sobretudo recordada como a fundadora da "era dos sacrifícios"- a do "não baixar os impostos" - tão brilhantemente prosseguida por Sócrates e cujos efeitos são mais aplaudidos em Bruxelas do que cá. Para além disso, se é para "mais do mesmo", é natural que o "povo", indiferente e manso, prefira o que está a uma "reprise". Ou seja, Ferreira Leite tem de provar que vale mais do que um orçamento de Estado e que é diversa da tropa presentemente em exercício. Quanto a Santana Lopes, é pouco provável que lhe apeteça continuar a ser chefe da banda parlamentar com Manuela na Lapa. Desde hoje, a tentação para deixar mais um cargo a meio deve ser imensa. Menezes - convém nunca o esquecer - esperava por Manuela. E ela, como na canção, disse que sim.

ELA DISSE QUE SIM


Morais Sarmento, Arnaut, Rio, Aguiar-Branco e Pacheco Pereira, reunidos na casa de Ferreira Leite, "combinaram" que a senhora "avança" - talvez segunda-feira - para o lugar que ainda é de Menezes. Sarmento e Arnaut, apesar da idade, representam primorosamente o ranço "barrosista". Aguiar-Branco (desta vez não me esqueci do hífen) não representa nada. Rio representa-se a ele mesmo quando quiser e Pacheco faz de "animador cultural" da mulher que tem escasso métier "para além do défice". Ferreira Leite é, para já, apenas uma candidata a "passar" a prova das bases. Se a passar, segue-se o país. Aqui, ela é sobretudo recordada como a fundadora da "era dos sacrifícios"- a do "não baixar os impostos" - tão brilhantemente prosseguida por Sócrates e cujos efeitos são mais aplaudidos em Bruxelas do que cá. Para além disso, se é para "mais do mesmo", é natural que o "povo", indiferente e manso, prefira o que está a uma "reprise". Ou seja, Ferreira Leite tem de provar que vale mais do que um orçamento de Estado e que é diversa da tropa presentemente em exercício. Quanto a Santana Lopes, é pouco provável que lhe apeteça continuar a ser chefe da banda parlamentar com Manuela na Lapa. Desde hoje, a tentação para deixar mais um cargo a meio deve ser imensa. Menezes - convém nunca o esquecer - esperava por Manuela. E ela, como na canção, disse que sim.

21.4.08

O PSD AO ESPELHO - 6


O partido que está representado na televisão pública por Zita Seabra, Ângelo Correia, Patinha Antão e Passos Coelho será o mesmo a que os senhores da foto presidiram? Ou já estamos definitivamente em Marte?

O PSD AO ESPELHO - 6


O partido que está representado na televisão pública por Zita Seabra, Ângelo Correia, Patinha Antão e Passos Coelho será o mesmo a que os senhores da foto presidiram? Ou já estamos definitivamente em Marte?

FÓRMULA MENOS QUE ZERO

Com o país no "osso", o sr. Laurentino acha "normal" dar dois milhões de euros ao sr. Monteiro para ele exibir os seus fracassos como improvável "atleta" da "fórmula 1", um manifesto bem de primeira necessidade. Está a ver, Medeiros Ferreira, por que é que eu sempre lhe disse que essa ideia do "país de eventos" pode dar pano para mangas ao disparate?

FÓRMULA MENOS QUE ZERO

Com o país no "osso", o sr. Laurentino acha "normal" dar dois milhões de euros ao sr. Monteiro para ele exibir os seus fracassos como improvável "atleta" da "fórmula 1", um manifesto bem de primeira necessidade. Está a ver, Medeiros Ferreira, por que é que eu sempre lhe disse que essa ideia do "país de eventos" pode dar pano para mangas ao disparate?

DE ACORDO

Com Vital Moreira, por uma vez: "os eleitores que desertam do PSD vão engrossar sobretudo a abstenção." Sim, só se cai no "conto socrático" uma vez.

DE ACORDO

Com Vital Moreira, por uma vez: "os eleitores que desertam do PSD vão engrossar sobretudo a abstenção." Sim, só se cai no "conto socrático" uma vez.

O PSD AO ESPELHO - 5

Esta da "disfunção eréctil" tem graça, mesmo em relação a Ferreira Leite, e mesmo dando desconto ao "menezismo" solidário do Carlos. A D. Fátima Campos Ferreira vai, no Prós & Contras, "debater" o PSD, presumo, com a gente de sempre. Este esfarelar público do suposto maior partido da oposição devia encher de vergonha todos os protagonistas, desde os"intelectuais" aos "populistas", afinal, todo um bando de cobardolas que, desde a fuga de Barroso, vem matando o partido aos bocadinhos. O país vai assistir a um cortejo de ódios e vaidades meramente pessoais e não a confrontos ideológicos, coisa, aliás, que nunca ocupou em demasia o partido. E apenas por receio do óbvio: o "regresso" de Menezes no último dia do prazo para as absurdas "directas".

O PSD AO ESPELHO - 5

Esta da "disfunção eréctil" tem graça, mesmo em relação a Ferreira Leite, e mesmo dando desconto ao "menezismo" solidário do Carlos. A D. Fátima Campos Ferreira vai, no Prós & Contras, "debater" o PSD, presumo, com a gente de sempre. Este esfarelar público do suposto maior partido da oposição devia encher de vergonha todos os protagonistas, desde os"intelectuais" aos "populistas", afinal, todo um bando de cobardolas que, desde a fuga de Barroso, vem matando o partido aos bocadinhos. O país vai assistir a um cortejo de ódios e vaidades meramente pessoais e não a confrontos ideológicos, coisa, aliás, que nunca ocupou em demasia o partido. E apenas por receio do óbvio: o "regresso" de Menezes no último dia do prazo para as absurdas "directas".

20.4.08

OS "MÍNIMOS" E A "OBRIGAÇÃO MORAL"


Marcelo presume que vai aparecer alguém que preencha os "mínimos". Traduzido em "marcelês", isto quer dizer alguém que perca com "dignidade", em 2009, para um Sócrates sem maioria. Aí, e perante uma legislatura de horizontes precários, talvez surja uma "obrigação moral". Entre os "mínimos" anunciados, o PSD afunda-se mansamente. Quer maior "obrigação moral" do que esta?

OS "MÍNIMOS" E A "OBRIGAÇÃO MORAL"


Marcelo presume que vai aparecer alguém que preencha os "mínimos". Traduzido em "marcelês", isto quer dizer alguém que perca com "dignidade", em 2009, para um Sócrates sem maioria. Aí, e perante uma legislatura de horizontes precários, talvez surja uma "obrigação moral". Entre os "mínimos" anunciados, o PSD afunda-se mansamente. Quer maior "obrigação moral" do que esta?

CAVACO, O RESIGNADO?



«Sócrates falhou. A economia encolhe. A "consolidação financeira", uma espécie de utopia indígena, está comprometida. E o mundo, em crise, não ajuda. De resto, o reformismo acabou. O "monstro" continua alegremente como era. A saúde não se recomenda. E o ensino treme. As reuniões de quinta-feira entre o dr. Cavaco e o primeiro-ministro devem ter hoje um ar de enterro. Se alguém lesse agora ao dr. Cavaco o discurso de candidatura, ele com certeza desatava a chorar. Prometeu, jurou, gritou que "não se resignava" e só lhe resta a resignação: o pântano de Sócrates, se as coisas por milagre ficarem por aí. E tudo isto sem contar com o PSD. A demissão do dr. Menezes (verdadeira ou falsa, temporariamente verdadeira ou temporariamente falsa: com ele nunca se sabe) não é uma querela doméstica vulgar, põe em risco a própria existência do partido e, pondo em risco a existência do partido, põe em risco a existência do regime. Queira ou não queira, Cavaco precisa de garantir uma sucessão aceitável. É ele o árbitro; até porque não há outro. Infelizmente, o árbitro é também o bode expiatório. Cavaco vai sair deste sarilho com meio PSD contra ele e responsável pela tropa fandanga que apoiar ou se julgar que apoiou. Uma situação pouco invejável. Se anda de facto radiante em Belém, anda muito enganado: entre o descalabro do PS e a guerra civil do PSD, ninguém já o salva de um grande desastre.»

Vasco Pulido Valente, in Público

CAVACO, O RESIGNADO?



«Sócrates falhou. A economia encolhe. A "consolidação financeira", uma espécie de utopia indígena, está comprometida. E o mundo, em crise, não ajuda. De resto, o reformismo acabou. O "monstro" continua alegremente como era. A saúde não se recomenda. E o ensino treme. As reuniões de quinta-feira entre o dr. Cavaco e o primeiro-ministro devem ter hoje um ar de enterro. Se alguém lesse agora ao dr. Cavaco o discurso de candidatura, ele com certeza desatava a chorar. Prometeu, jurou, gritou que "não se resignava" e só lhe resta a resignação: o pântano de Sócrates, se as coisas por milagre ficarem por aí. E tudo isto sem contar com o PSD. A demissão do dr. Menezes (verdadeira ou falsa, temporariamente verdadeira ou temporariamente falsa: com ele nunca se sabe) não é uma querela doméstica vulgar, põe em risco a própria existência do partido e, pondo em risco a existência do partido, põe em risco a existência do regime. Queira ou não queira, Cavaco precisa de garantir uma sucessão aceitável. É ele o árbitro; até porque não há outro. Infelizmente, o árbitro é também o bode expiatório. Cavaco vai sair deste sarilho com meio PSD contra ele e responsável pela tropa fandanga que apoiar ou se julgar que apoiou. Uma situação pouco invejável. Se anda de facto radiante em Belém, anda muito enganado: entre o descalabro do PS e a guerra civil do PSD, ninguém já o salva de um grande desastre.»

Vasco Pulido Valente, in Público

A "SUPERIORIDADE" CONTINENTAL


A visita de Cavaco à Madeira - apesar dos incidentes "protocolares" que a antecederam, do mau gosto de ter recebido os partidos no hotel e de ter inaugurado outro no Porto Santo como Fidel fazia em Cuba - valeu porventura mais por aquilo que o presidente transmitiu em privado do que pelo que o folclore habitual evidenciou. A prova disso está neste "convite", impensável há uns dias atrás. Jardim não é exactamente o bisonte que as crónicas dos jornais descrevem, nem os madeirenses os atrasados mentais que elas pressupõem. Aliás, entre o "estilo" dele e a miséria embotada e servil que reina um pouco por todo o "continente", não hesito.

A "SUPERIORIDADE" CONTINENTAL


A visita de Cavaco à Madeira - apesar dos incidentes "protocolares" que a antecederam, do mau gosto de ter recebido os partidos no hotel e de ter inaugurado outro no Porto Santo como Fidel fazia em Cuba - valeu porventura mais por aquilo que o presidente transmitiu em privado do que pelo que o folclore habitual evidenciou. A prova disso está neste "convite", impensável há uns dias atrás. Jardim não é exactamente o bisonte que as crónicas dos jornais descrevem, nem os madeirenses os atrasados mentais que elas pressupõem. Aliás, entre o "estilo" dele e a miséria embotada e servil que reina um pouco por todo o "continente", não hesito.

HOPE AGAINST ALL HOPE

Papa Bento XVI, esta manhã, no World Trade Center, em Nova Iorque.

HOPE AGAINST ALL HOPE

Papa Bento XVI, esta manhã, no World Trade Center, em Nova Iorque.

19.4.08

O PSD AO ESPELHO - 4

Por este andar, o porteiro da sede, à Lapa, vai ser candidato. Sócrates até já se dá ao luxo de aparecer "mais" socialista.

O PSD AO ESPELHO - 4

Por este andar, o porteiro da sede, à Lapa, vai ser candidato. Sócrates até já se dá ao luxo de aparecer "mais" socialista.

THE LADY



Não foi preciso o "moderno" Zapatero aparecer para as mulheres sobressaírem na política. Ainda algumas das suas ministras andavam de bibe e já esta senhora existia. Uma grande mulher, uma grande política.

THE LADY



Não foi preciso o "moderno" Zapatero aparecer para as mulheres sobressaírem na política. Ainda algumas das suas ministras andavam de bibe e já esta senhora existia. Uma grande mulher, uma grande política.

O CÁLCULO DAS SOMBRAS


Há pouco, também na SIC Notícias, Passos Coelho discorria sobre os seus "motivos". Coelho, fora dois ou três lugares-comuns que até a minha padeira subscreveria, não tem uma ideia para o PSD. No fundo, esta candidatura pífia serve para ele "estagiar" e, eventualmente, ser qualquer coisa de mais sério daqui a uns anos. Ora o PSD não se pode dar ao luxo destes "testes". Tão miserável como o interregno Menezes, é o cálculo das sombras (título de um livro do EPC) dos supostos "grandes líderes" por que o partido aguarda. Sem grandeza, os alegados "nomes fortes" - a avaliar pelos jornais - desdobram-se em telefonemas uns aos outros, com meia dúzia de pantomineiros habituais pelo meio, para decidir o que fazer. Era, afinal, isto que Menezes pretendia. "Encostar" as vedetas à parede e exibir a sua pusilanimidade oportunista perante as "bases" que ele tão sofridamente representa. O cálculo das sombras só serve o populismo instalado. Mais uns dias disto e Menezes, após o conselho nacional, está de volta. É bem feito.

O CÁLCULO DAS SOMBRAS


Há pouco, também na SIC Notícias, Passos Coelho discorria sobre os seus "motivos". Coelho, fora dois ou três lugares-comuns que até a minha padeira subscreveria, não tem uma ideia para o PSD. No fundo, esta candidatura pífia serve para ele "estagiar" e, eventualmente, ser qualquer coisa de mais sério daqui a uns anos. Ora o PSD não se pode dar ao luxo destes "testes". Tão miserável como o interregno Menezes, é o cálculo das sombras (título de um livro do EPC) dos supostos "grandes líderes" por que o partido aguarda. Sem grandeza, os alegados "nomes fortes" - a avaliar pelos jornais - desdobram-se em telefonemas uns aos outros, com meia dúzia de pantomineiros habituais pelo meio, para decidir o que fazer. Era, afinal, isto que Menezes pretendia. "Encostar" as vedetas à parede e exibir a sua pusilanimidade oportunista perante as "bases" que ele tão sofridamente representa. O cálculo das sombras só serve o populismo instalado. Mais uns dias disto e Menezes, após o conselho nacional, está de volta. É bem feito.

18.4.08

O PSD AO ESPELHO - 3

É verdade. Menezes, com Mário Crespo - o mais genial entrevistador da televisão portuguesa em funções - foi «furioso, calamitoso, nervoso, tremendista, insultuoso, verdadeiro, ingénuo.» Tudo o que um aspirante a chefe, no caso, ainda chefe em exercício, não pode ser. Menezes disse que não é candidato. Mas as "vagas", num híbrido como o PSD, costumam mover negativas.

O PSD AO ESPELHO - 3

É verdade. Menezes, com Mário Crespo - o mais genial entrevistador da televisão portuguesa em funções - foi «furioso, calamitoso, nervoso, tremendista, insultuoso, verdadeiro, ingénuo.» Tudo o que um aspirante a chefe, no caso, ainda chefe em exercício, não pode ser. Menezes disse que não é candidato. Mas as "vagas", num híbrido como o PSD, costumam mover negativas.

FORA DAQUI


Em Lisboa, António Costa pensa em demolir a estação de Santa Apolónia e "urbanizar" o terreno ou transformá-la num "terminal para cruzeiros". Já em relação à Portela, o dr. Costa tencionava "ajardinar" a zona uma vez transferido o aeroporto para a (solução por ele desejada) Ota. Em Paris, manifestamente uma cidade periférica, as estações de comboio que foram encerradas deram lugar a museus e a restaurantes. Paris, no entanto, não teve a felicidade de ser dirigida por um visionário como Costa e consentiu numa coisa como, por exemplo, o Museu d' Orsay. Nós, lisboetas, fomos pelo contrário bafejados pela bem aventurança de possuirmos um presidente de câmara dado a jardins, urbanizações e cruzeiros, sem um tostão, porém disposto a rasurar a memória da cidade em nome da "modernidade". Os milhões gastos no alargamento da linha do Metro a Santa Apolónia não interessam nada. Vê-se mesmo que vive num condomínio fechado, fora daqui.

FORA DAQUI


Em Lisboa, António Costa pensa em demolir a estação de Santa Apolónia e "urbanizar" o terreno ou transformá-la num "terminal para cruzeiros". Já em relação à Portela, o dr. Costa tencionava "ajardinar" a zona uma vez transferido o aeroporto para a (solução por ele desejada) Ota. Em Paris, manifestamente uma cidade periférica, as estações de comboio que foram encerradas deram lugar a museus e a restaurantes. Paris, no entanto, não teve a felicidade de ser dirigida por um visionário como Costa e consentiu numa coisa como, por exemplo, o Museu d' Orsay. Nós, lisboetas, fomos pelo contrário bafejados pela bem aventurança de possuirmos um presidente de câmara dado a jardins, urbanizações e cruzeiros, sem um tostão, porém disposto a rasurar a memória da cidade em nome da "modernidade". Os milhões gastos no alargamento da linha do Metro a Santa Apolónia não interessam nada. Vê-se mesmo que vive num condomínio fechado, fora daqui.

O PSD AO ESPELHO - 3

Pacheco Pereira está fazer o habitual "trabalho de casa" como "prefeito para a doutrina social-democrata". Pérolas a porcos, caro JPP. V. dirige-se a um proto-partido, não àquilo que está no "terreno", àquilo que vota. Os "alternativos" do dia - Branco e Coelho -, alheios à "doutrina" e ao país, são gaitas que não assobiam.

O PSD AO ESPELHO - 3

Pacheco Pereira está fazer o habitual "trabalho de casa" como "prefeito para a doutrina social-democrata". Pérolas a porcos, caro JPP. V. dirige-se a um proto-partido, não àquilo que está no "terreno", àquilo que vota. Os "alternativos" do dia - Branco e Coelho -, alheios à "doutrina" e ao país, são gaitas que não assobiam.

CONTRA O ESPÍRITO MUNDANO

«Mais do que transformar-se e renovar-se por dentro, os cristãos podem cair facilmente na tentação de acomodar-se ao espírito mundano», palavras de Bento XVI nos EUA. Ratzinger nunca diz nada, onde quer que seja, por acaso. E é dos poucos que vale a pena escutar. A seguir aqui.

CONTRA O ESPÍRITO MUNDANO

«Mais do que transformar-se e renovar-se por dentro, os cristãos podem cair facilmente na tentação de acomodar-se ao espírito mundano», palavras de Bento XVI nos EUA. Ratzinger nunca diz nada, onde quer que seja, por acaso. E é dos poucos que vale a pena escutar. A seguir aqui.

O PSD AO ESPELHO - 2

«Enquanto os "notáveis" não demonstrarem um módico de humildade e boa-fé e persistirem em "estratégias" de puro interesse pessoal, ninguém acreditará neles. Pelo contrário, um apelo conjunto à "salvação colectiva" é persuasivo e chega para enterrar Menezes. Quanto ao "chefe", virá por si.»


VPV, in Público


Adenda
: Sempre que acontecem destas tremuras, aparece o nome da dra. Leite. Contudo, foi a sua pusilanimidade como presidente do conselho nacional de Marques Mendes que abriu definitivamente portas a Menezes. Por estas dias, regressará na boca de muitos "notáveis" como a "eterna salvadora". Convém ter presente o passado.

O PSD AO ESPELHO - 2

«Enquanto os "notáveis" não demonstrarem um módico de humildade e boa-fé e persistirem em "estratégias" de puro interesse pessoal, ninguém acreditará neles. Pelo contrário, um apelo conjunto à "salvação colectiva" é persuasivo e chega para enterrar Menezes. Quanto ao "chefe", virá por si.»


VPV, in Público


Adenda
: Sempre que acontecem destas tremuras, aparece o nome da dra. Leite. Contudo, foi a sua pusilanimidade como presidente do conselho nacional de Marques Mendes que abriu definitivamente portas a Menezes. Por estas dias, regressará na boca de muitos "notáveis" como a "eterna salvadora". Convém ter presente o passado.