24.5.13

Um vómito gratuito



Miguel Sousa Tavares escolheu a via do insulto para lançar um romance. É uma opção a qual, suspeito, não favorece nem o autor nem a literatura. E diz mais sobre o autor do livro e do insulto do que sobre o livro e o insultado. Como Sousa Tavares, goste-se ou não, tem acesso fácil à palavra pública - e é pago para a ter - faz por consequência parte das elites do regime. Ora o regime não está como Pulido Valente o descreve só por causa dos seus políticos. Os que sobrevivem parcialmente de ruminar sobre eles, acabam por integrar o "sistema". De televisão em televisão, de jornal em jornal e, mais recentemente, de livro em livro, Sousa Tavares é um rosto emblemático do sistema que algumas pessoas se habituaram a ver, ler, ouvir e, eventualmente, a respeitar. Essas pessoas mereciam melhor do que o vómito gratuito do Miguel.

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