«Portugal vive numa espécie de desassossego, que terá certamente raízes na crise financeira, mas não apenas aí. Sobre os assuntos verdadeiramente importantes, a discussão tornou-se nula. Os factos são inutilidades. A comunicação social parece ter perdido o norte, embrulhada na verdadeira espiral recessiva, a da seriedade, onde cada notícia má tem de ser pior ainda.» Escreve o Luís Naves cheio de razão. Mas a razão do Luís estende-se, como uma espécie de crítica da razão impura, aos "protagonistas" que fornecem habitualmente os pretextos para a vozearia comunicacional. Do poder à oposição - e, convém recordar, cerca de 60 dos quase cem (100!) comentadores são ou foram "actores" políticos do regime -, não há dia ou hora em que não apareça alguém, em texto ou subtexto, a dizer do seu (ou de quem não pode ser tão conspícuo) estado de alma tático, partidário ou, mesmo, "oficioso", quase "de Estado". Era bom que se moderasse esta tagarelice desenfreada, esta piroseira "recadista", esta falta generalizada de alguma gravitas institucional que respeite a vida atormentada das pessoas, a dos verdadeiros "humilhados e ofendidos", e onde se deixe de olhar para os umbiguinhos ridículos de cada um destes nossos nibelungos de trazer por casa.

1 comentário:
A comunicação social, com a sua flagrante parcialidade ideológica e demissão da sua missão de informar de forma isenta, é a verdadeira oposição. Enfim, é o que temos…
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/05/da-imparcialidade-ideologica-do.html
Enviar um comentário