24.5.13

A liturgia da ruminação






«Não deixa, por fim, de causar enorme perplexidade que os responsáveis editoriais de todas as televisões tenham achado que as melhores pessoas para comentar a crise em que estamos sejam alguns dos responsáveis por essa mesma crise. Uns mais, outros menos, mas poucos podem escapar a essa responsabilidade. E ainda menos dizer, como Medina Carreira, que avisaram a tempo e horas. Mas nunca ninguém lhes lembra como têm telhados de vidro. Só temos a perder com este afunilar do debate público, com a sua captura pela agenda dos partidos e pela gerontocracia do regime, com a repetição ad nauseam de argumentos e falácias, com esta corrida dos comentadores pela popularidade. Numa altura em que a opinião pública procura explicações e respostas, a preguiça dos jornalistas serve-lhe frases feitas e rostos gastos e cansados. O que se passa, é bom dizê-lo com clareza, não é culpa de muitos destes comentadores. É sobretudo culpa de todos os jornalistas que abdicam de o ser, que vivem na ilusão das audiências (quando estão a destruí-las) e que se alimentam do mesmo tipo de intriga e do mesmo catálogo de certezas que a corte partidocrática. Apesar de tudo há melhor e mais estimulante nas elites portuguesas do que o cardápio que nos servem as televisões.»


 


José Manuel Fernandes, Público

1 comentário:

Tomate emagazine disse...

Perceber Gaspar
Iluminadas mentes, especialmente aquelas que nos governaram mal, mas agora rebolam como gatos frente às câmaras de televisão obtendo o aplauso que nunca tinham obtido anteriormente têm vindo a disseminar a ideia que Vítor Gaspar é um capataz germânico, talvez quase idêntico aos Kapos judeus que faziam o trabalho sujo dos alemães nos campos de concentração junto dos seus compatriotas (Ninguém disse isto assim, mas é a ideia que vai percolando).
Essas mentes, para variar, estão erradas. A política de Gaspar obedece a uma lógica muito clara e desenvolve-se a partir dessa lógica. Alguns como é o meu caso, defendem caminhos diferentes, talvez mais radicais: saída do euro e /ou política monetária expansionista; baixa de impostos e evolução do Estado Social para o Estado Habilitador. Mas, para quem não quer ir por aqui a política de Gaspar é provavelmente a única possível, o resto é …música, e má música.
continua em www.tomateemagazine.com