A escolha de D. Manuel Clemente, actual bispo do Porto, para cardeal patriarca de Lisboa e, por consequência, futuro "número um" da igreja portuguesa, não surpreende. Policarpo há muito que devia ter saído e os derradeiros anos do seu exercício não se recomendam. Bento XVI pediu-lhe que ficasse para além do limite de idade e ele ficou. A escolha do Papa Francisco acaba por ser previsível. D. Manuel Clemente "mundanizou-se" e fala um dialecto chão apesar de escrever muito e, em geral, bem. Está mais sintonizado com o imenso lugar-comum em que se tornou a vivência espiritual nos nossos dias - nem o Prémio Pessoa do Expresso lhe escapou - e corresponde ao que o Papa esperará dos seus cardeais e vice-versa. Autografa livros como Francisco autografa braços engessados o que é sempre um upgrade. Havia uma alternativa chamada D. Carlos Azevedo mas bastou um dichote repelente e oportuno posto a circular no momento certo (e logo desaparecido com a mesma celeridade) para o afastar do patriarcado de Lisboa. Nesse episódio miserável, a hierarquia da igreja portuguesa, bispo do Porto incluído, comportou-se de acordo com o cânone fácil da pusilanimidade. Mas estes aspectos "terrenos" da coisa interessam-me pouco e em nada alteram a minha relação com a fé. O meu lastro, nesta matéria, é o de Paulo VI, João Paulo II e, acima de tudo, de Bento XVI. Fico confortável.
3 comentários:
Congratulo-me com a escolha de D. Manuel Clemente para patriarca de Lisboa. Quanto ao juízo que o João Gonçalves faz de que o futuro patriarca estaria sintonizado com o imenso lugar-comum em que se tornou a vivência espiritual nos nossos dias, atribuo a mesma a algum desconhecimento da figura e da estatura moral e intelectual de D. Manuel Clemente que o futuro - e a honestidade intelectual do João Gonçalves - se encarregarão de rectificar. Estou convicto de que teremos um grande patriarca - bem melhor do que o patriarca Policarpo - e um grande homem de Igreja, na linha, precisamente, do papa Bento XVI que o João Gonçalves tanto admira.
Já estava a estranhar que o Dr. João Gonçalves ainda não tivesse lançado uma farpazita ao novo Papa...Essa do "assinar gesso" está magistral no que respeita à arte da ironia subreptícia. Também eu, na minha humildade, mas também dignidade, de Cristã, o tenho ainda em avaliação. Não julgo necessário que se destrua o lado belo e solene da liturgia para assumir Franciscanismo. Tempos houve em que a beleza das catedrais, com os seus cânticos, esculturas e pinturas, funcionava como o museu dos pobres, o seu único contacto com as maravilhas da arte. Estar ao lado dos pobres não significa forçosamente tornar-se pobre ou parecê-lo. A triste experiência comunista aí está a prová-lo. Já quanto aos bispos que refere, talvez esteja a ser injusto na apreciação. Esperemos para ver...
Concordo integralmente com o seu artigo!É que realmente o que fizeram ao D.Carlos Azevedo,com os amens de toda a coorte - a começar pelo inenarrável comunista januário, e com a conivência de prelados e quejandos,foi simplesmente vergonhoso!O que demonstra que também a Igreja está transformada num loby de interesses obscuros!Quanto ao D.Manuel Clemente, não lhe auguro grande futuro,pois na situação actual uma pessoa tem que se definir: actualmente tem boa imprensa e,como tal,para a manter,das duas uma:ou continua a dizer sonsices ou,então,rapidamente verá como elas mordem!
Quanto ao D.Policarpo:que descanse em paz. Não deixa saudades!Podia levar com o grande amigo Sampaio e também o Soares. Ainda falta um?Podia ser o sócrates!Mas que quarteto!
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