Quando, não há muito tempo, se colocou a hipótese da concessão a privados da gestão da RTP, gerou-se uma verdadeira comoção nacional para deixar tudo como estava. Do Rato ao Caldas, da Almirante Reis ao Hotel Vitória, até mesmo por trás de algumas portas na Lapa, passando pelos inevitáveis "movimentos espontâneos" da não menos espontânea "sociedade civil (com o António-Pedro Vasconcelos à cabeça), o regime oficial e oficioso ergueu-se para "defender" a RTP sem nunca distinguir (como podiam?) a empresa do serviço público que ela prestava. Até pessoas como o actual presidente do conselho de administração, que se mostravam confortáveis com a hipótese da concessão, tremelicaram de alegria e de temor reverencial quando perceberam que tudo não tinha passado de um sonho de uma noite de verão. Estou uma vez mais à vontade porque nunca me afastei um milímetro daquilo que defendo - a privatização total da gestão da RTP. Dito isto, há nos olhos meus as ironias e os cansaços do Régio quando vejo que, agora, a propósito da "reforma do Estado", as concessões se revelam, afinal, uma óptima "ideia". Ficarei pois sentado a observar quais e em que sectores porque decerto a vaca persistirá sagrada. Entretanto a RTP falece metodicamente nas audiências, não tem dinheiro para pagar rescisões e, em tese, este será o derradeiro exercício com indemnização compensatória. O futuro da contribuição para o audiovisual também está em discussão apesar do CA da RTP pretender o seu aumento em 2014, uma decorrência lógica do princípio desta conversa, ou seja, de a gestão ter permanecido 100% pública conforme a vontade genérica do regime. Sobre isto tudo, nem uma palavra dos "indignados" de há menos de um ano. Aparentemente está tudo bem assim e não pode ser de outra forma. O profissionalismo dos trabalhadores e dos jornalistas da RTP merecia melhor sorte, menos demagogia e outro destino. A ver vamos como dizia o cego.
Adenda: Afinal já houve uma manifestação "indignada" no sentido do "deixa estar como está para ver como é que fica", na expressão feliz sobre o portugalório visto por Ruben A.

6 comentários:
Já disse mil vezes e sou acompanhado por João Lourenço do Teatro Aberto.
Não queremos subsídios, somos e queremos continuar a ser independentes para produzir sem necessidade da tutela.
O nosso lema é e será "A qualidade vence por si". (*)
(*) Este apontamento tem o apoio de Catarina Furtado, José Malato, Fátima Ferreira, Carlos Moniz, Simone de Oliveira, Mendes & Outros.
A RTP é um paradigma do "Portugal que vive à mesa do Orçamento de Estado" e que tentará resistir a qualquer mudança do status quo… Eis o desafio da próxima década: será possível implementar as mudanças que Portugal precisa, as quais passam inevitavelmente pelo corte nos recursos que sustentaram nas últimas décadas o modelo de riqueza das "elites" da capital, quando será precisamente esse grupo - que domina completamente a opinião pública e a agenda mediática - o mais prejudicado por essas medidas?
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/05/do-portugal-silencioso.html
Boa tarde,
O seu post esteve em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.
Atenciosamente,
Catarina Osório
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais - portal SAPO
Tal como o autor deste artigo eu não sou contra uma possível privatização da RTP. Contudo estou contra a forma como esta mesma privatização poderá ser feita.
Isto porque na maioria dos casos em que uma empresa do Estado é privatizada nunca o é no verdadeiro sentido do termo. Apenas se muda o nome mas o conteúdo mantêm-se o mesmo e não é mais que uma forma de arranjar jobs for the boys. Veja-se por exemplo o que aconteceu e acontece na Portugal Telecom
Para mais a Constituição da República Portuguesa obriga a que haja um serviço Público de Rádio e Televisão.
Penso que não devemos ver a questão da RTP tendo como base o quanto esta nos custa diariamente. O problema da RTP, a meu ver ver, deve ser analisado sob o prisma da sua gestão e de quem é colocado a frente dos destinos desta. É bom relembrar que o actual Administrador da RTP era Administrador de uma Central de Cervejas (tem tudo a ver...) e que este foi nomeado pela actual Executivo.
E se não me engano esta taxa de audiovisual também beneficia a SIC e TVI. Acabar com ela não irá somente prejudicar a RTP e eu acredito que se porventura o Governo decidir acabar com esta taxa irá com toda a certeza criar outra qualquer.
Cumprimentos e bosa postagens.
E daí, partir cantando, penso que não devemos ver a questão disto e daquilo tendo como base o quanto esta nos custa diariamente e tudo!! E acrescentar disto e daquilo que justificadamente deve ser!! E concluir, por evidencia da escassez, que deve custar menos!! E que custando menos, certamente, não estará à medida do crescimento nem da grandiosidade de Portugal!! E daqui não saímos enquanto se não pagar em farelo!!
"E concluir, por evidencia da escassez, que deve custar menos!! E que custando menos, certamente, não estará à medida do crescimento nem da grandiosidade de Portugal!!"
De acordo. E porque não colocar à frente da Televisão Pública um Administrador que perceba mesmo da coisa e que acabe de vez com as despesas absurdas?
Esta é que é esta...
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