
«O recente caso Rogoff/Reinhart, e as suas teorias sobre a ligação entre o crescimento económico e a dívida pública (usada para caucionar a política austeritária dos últimos tempos), é muito esclarecedor sobre as areias extremamente movediças da "ciência" económica, em que permanentemente se confundem três coisas bem distintas: os elementos e as correlações estatísticas, as causas dos factos e as razões dos acontecimentos. O mundo de hoje exige outras visões da economia, onde o pluralismo tem de ser a regra: um pluralismo crítico que ofereça aos estudantes (e aos cidadãos em geral) uma perspectiva global sobre a história e os procedimentos nucleares da disciplina. Um pluralismo doutrinário que apresente as várias linhas de pensamento económico existentes, promova a competição explicativa entre as suas argumentações e ofereça uma diversidade de pontos de vista. Um pluralismo interdisciplinar, que valorize os contributos de outras disciplinas e saberes na compreensão e tratamento dos problemas do mundo de hoje, que são cada vez mais polifacetados, interdependentes e complexos. Tudo isto exige, como comecei por dizer, mais dissenso do que consenso. Exige sobretudo que se compreenda que o consenso de que falam os zelotas do financismo divino é um mero garrote para, justamente, impedir que surjam e se trabalhem ideias e propostas alternativas àquelas que, apesar de falharem os seus proclamados objectivos, continuam, todavia, a dominar impunemente o mundo. É pena, pois, que por cá não se tenha dado a devida atenção ao relatório coordenado pelo prof. José Mattoso em 2011, no âmbito do Conselho Científico das Ciências Sociais da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que apontava para a degradação do ensino e da investigação da economia em Portugal. Lá se pode ler "que a ausência de pluralismo na ciência económica não resulta directamente, longe disso, da maior capacidade explicativa da visão mainstream. No caso da economia, tem-se mesmo popularizado um termo, o "pensamento único", para traduzir o afunilamento e ausência de pluralismo que tem afectado nas últimas três décadas a investigação nesta área científica, com consequências negativas evidentes sobre o respectivo progresso.»
3 comentários:
O que é que se passa no post anterior? 65 mil e tal comentários. Quase um Estádio da Luz cheio. A Glória?
A quem interessar: a Disciplina de História não é sequer necessária para se entrar num curso de Economia!
Não admira que repitam erros já cometidos no passado.
Sem descurar a justesa deste post, e ainda relativamente ao post anterior: que inergume verrinoso que o senhor me saiu!
É por esta via, qual clivagem cognitiva, que se sente "especial", com os seus dois ou três amiguinhos que com certeza considera igualmente "especiais"? Longe da turbe, longe do mundo? Perto das suas óperas e seu ideal?
Não há mal nenhum na sua posição (e oposição), mas a grandeza, a verdadeira grandeza não passa certamente por pisar os "outros", os debaixo. Justamente o contrário. Vç é o pináculo do "quis ser grande" (diferente, bem diferente), saí pequenito... bem pequenito.
Experimente a pistola, talvez lhe faça bem.
Por cá não deve deixar muitas saudades...
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