Li nos rodapés que, por ditas restrições financeiras, por um lado, e alegadamente por falta de entendimento com a Câmara do Porto, pelo lado da APEL, a chamada Invicta não terá este ano feira do livro. O mandato de Rui Rio ficou marcado por uma relação ambígua com a cultura, seja lá "cultura" o que for. Não desejo louvar-me em feiras do livro por causa dela ou, mesmo, por causa dos livros. A ideia de "feira do livro" mudou radicalmente nos últimos anos sobretudo devido à concentração editorial em duas ou três enormes galáxias produtoras de objectos muitas vezes "parecidos" com livros tal como os conhecíamos e fomos ensinados a gostar deles. Todavia, e apesar da decadência, as pessoas que apreciam o ambiente dos livros habituaram-se a subir e a descer os corredores das ditas feiras ou, no caso do Porto, a andar à roda dentro do Palácio de Cristal (agora pavilhão qualquer coisa, suponho). Rui Rio exibe um currículo político que não merecia ser rasurado pela imperícia na forma como sempre tratou questões destas: como se elas não existissem e só a mercearia interessasse. Talvez o bibliófilo Pacheco Pereira, seu amigo, um dia lhe explique que há mais mundo para além do deve e haver.

2 comentários:
De há uns anos a esta parte, a subir e a descer a Avenida dos Aliados e a Praça da Liberdade, em frente à Câmara Municipal do Porto.
Nem tudo é assim tão "tenebroso": a CMP investiu 1 milhão de euros na reabilitação de um edifício de 7 pisos no centro da cidade, que foi destinado a iniciativas culturais. É certo que o Porto não é a "tasca de festas a metro" em que se transformou Lisboa (por entre o lixo e os graffiti), mas nem tanto ao mar nem tanto ao Rio.
(Este comentário não é um "Porto vs Lisboa")
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