19.4.13

Os "estrategas de posição"


 


Leio num jornal que «é de um ministro em perda que hoje todo o país fala, depois de Santos Pereira ter perdido a coordenação dos fundos comunitários (QREN).» Estas "conclusões" percevejais (a expressão é de Jorge de Sena) e ignorantes compreendem-se, porque metodicamente induzidas, à luz de uma coisa que Joaquim Aguiar designa por "estratégias de posição" (não é por acaso que ilustro o post com um sofisticado carro de combate). Isso encontra-se no prefácio ao livro* que recolhe os apontamentos políticos do General Garcia dos Santos resultantes das reuniões a que assistiu com os partidos, entre 1976 e 1979, ao lado do então PR Ramalho Eanes. Escreve Aguiar, referindo-se já aos tempos que correm (e quem não conhece o passado não pode perceber o futuro que esse passado anunciava), que «quem está no deserto e sonha com miragens acorda com a boca cheia de areia. Todavia, quem se especializou em "estratégias de posição" não pode reconhecer os erros nem pode escapar às ilusões.» E conclui: «quem se fixou em "estratégias de posição" nem se apercebe que entrou na vizinhança da descontinuidade, muito menos saberá como evitar a precipitação no vazio.» Aos "estrategas de posição" não interessa verdadeiramente nem o presente nem o futuro do país. Alguns - e regresso a Santos Pereira - estão ou estiveram ao lado do ministro da economia naquele célebre sentido geométrico que servia a Churchill para distinguir adversários de inimigos. Não devem, porém, subestimar a inteligência dos outros. Pode ser que acordem, um dia, com a boca cheia de areia.


 


*General Garcia dos Santos e David Castaño, Apontamentos Políticos - Eanes e os Partidos, Bertrand Editora, Lisboa 2013

1 comentário:

Vasco disse...

Tanto mistério... Digam os nomes, corram com eles.