«Temos a TV mais politizada da Europa, com muitos canais de notícias, noticiários a transbordar de política e dezenas de comentadores. Poderia ser bom se fosse verdadeiro debate. Mas os comentadores não são especialistas (universitários, colunistas ou jornalistas), são os próprios políticos, actores passados ou presentes das acções que ‘comentam’. Decidem à tarde no parlamento e ‘comentam’ à noite nos ecrãs – dezenas de horas por semana. É uma espécie de ditadura dos políticos e dos partidos, um verdadeiro confisco mediático do tempo destinado ao esclarecimento dos espectadores: os políticos são-nos impostos pelas TV. Estão em todo o lado, nos canais generalistas, informativos, regionais e até desportivos. Pelas minhas contas, pelo menos 10% dos deputados são ‘comentadores’ televisivos. Um em cada dez. Somam-se-lhes mais meia dúzia de eurodeputados, dois ex-primeiros ministros e uma dezena de bonzos actuais ou passados dos cinco partidos. A SIC Notícias, em especial, parece uma casa de bonecas parlamentar, um parlamentozinho de brinquedo com deputados pseudo-adversários num sistema que os alimenta. As TV conluiam-se com os cinco partidos para estarem de bem com eles, servem-nos em vez de servirem os cidadãos seus espectadores. A transferência quase total do debate político do parlamento para as TV é uma dupla perversão e menorização: do parlamentarismo e do seu lugar na política nacional; e do jornalismo como força independente na sociedade democrática.»

3 comentários:
Bem verdade isto. Não há informação, há poluição.
Você ou está a brincar ou a fazer-se de parvo. Então Inês Serra Lopes e o Camelo Lourenço (alegados jornalistas) ou o Carlos Abreu Amorim (alegado professor universotário) têm alguma isenção ou são especialista de alguma coisa além de politiquice e bajulação da direita? Serão estas medonhas personagens mais sérias que qualquer outro político em Portugal?
O seu comentário demonstra bem a sua falta de educação!
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