4.4.13

Entre a peste e a cólera

«Quem acredita na Democracia espera - ou pelo menos deseja - que o debate político dê um contributo útil. Que informe e que ajude a procurar saídas para a crise e a construir consensos. Mais do que nunca, Portugal precisa de um debate político qualificado, aberto à sociedade civil, que não se deixe enredar nas questiúnculas partidárias nem nas sombras do passado. Nunca como hoje precisámos tanto do estímulo do futuro, de novas ideias, de novos projectos e de novos protagonistas. Neste contexto, Sócrates regressa, como acertadamente disse Teresa de Sousa, como o grande perturbador. Logo quando o País mais precisa de um grande federador. Os "ajustes de contas" semanais de Sócrates vão procurar encurralar o debate político entre o fracasso do presente e as várias versões do passado, como se a única alternativa para os portugueses fosse a de escolherem entre a peste e a cólera. Quem ganha com isto? (...) Sejamos claros: o verdadeiro debate político, em contextos como o que vivemos, não se fazem apenas, nem sobretudo, nos privilegiados e protegidos estúdios televisivos. Se Sócrates quiser de facto ser coerente com o que diz, e não se limitar a animar o circus politicus da pastorícia ruminativa, o verdadeiro desafio do seu regresso não está nos ecrãs, mas na rua, explicando a sua narrativa cara a cara com os portugueses.»


 


M.M. Carrilho, DN


 


Adenda: Por falar em Carrilho, e uma vez que apareceu por aí o dr. Amado, convém precisar uma coisa. Meteu-se na tola de duas ou três luminárias do "arco da governabilidade" que o dr. Luís Amado, um homem simplesmente amável, também era subtil e um "político" de mão cheia. Sucede que não é nem uma coisa nem a outra. Fingiu uma rupturazinha com Sócrates, no fim da festa, e emergiu assim, como uma "cabeça", aos olhos dos tolos. Enquanto MNE, meteu o rabo entre as pernas quando Sócrates o mandou despedir Carrilho, na altura embaixador na UNESCO por delito de opinião (uma entrevista a propósito de um livro e não, como alguns bonzos dizem, por se ter recusado a cumprir a ordem de votar num cretino criminoso da corte de Mubarak para secretário-geral da organização como queria Sócrates). O genial Amado deixou, na altura, o trabalho sujo para o diplomata de carreira que fazia de secretário-geral do MNE com a desculpa que ia a caminho de Nova Iorque. Amado é um sério candidato, não a SG do PS (coitado do PS), mas a mais um sempre-em-pé do regime. Até já está a percorrer a via sacra para o efeito - "estagia" na administração de um banco apoiado pelo Estado.

1 comentário:

Alblopes disse...

Cada vez me convenço mais de que não posso deixar de vir aqui todos s dias para ver os seus posts!Este então é uma verdadeira pedrada no charco!E não é que eu,por norma sempre anti-xuxa,estava meio convencido que o Luis Amado era uma pessoa séria?Obrigado pelo aviso!