2.4.13

As escadas não têm degraus, 2

Pela primeira vez passei na Rua do Carmo por aquele espaço que foi a Livraria Portugal. Agora está lá uma padaria francesa, um franchising, suponho. Toda a Baixa, aliás, é uma espécie de franchising do Alto da Boavista, aquele ermo dos concertos rock ali para os lados de Chelas onde se deve poder mijar às escâncaras. Quer pela frequência, quer na morte a que foi sujeita a baixa pombalina - as suas lojas, as pessoas - pelo decurso do tempo e pela estupidez humana, foi uma paisagem devastada que atravessei. Quem puder sair deste escarro material e moral em que o país se tornou, não perca tempo.

5 comentários:

PiErre disse...

Bem fez a Bertrand, que se instalou em tudo quanto é centro comercial, que é onde vão as pessoas.

João disse...

Nunca me esqueci da última vez que entrei nessa livraria, há anos. Levei um livro do Venceslau de Morais. A funcionária que me atendeu, talvez convencida de que o meu ar imberbe lhe dava essa licença, decidiu fazer pouco do livro (como se lhe estivesse a fazer um favor por aliviá-los daquele volume). O atendimento 'à antiga' tem destas coisas, eu sei. Mas filisteu por filisteu, prefiro um que sirva baguetes.

Passaroco do Mondego disse...

De Norte a sul poucos lugares escapam à voragem modernizante que atirou o país para um tempo para além do tempo.. É assim no litoral, mas no interior o fenómeno é ainda mais grave..

Marques disse...

Òbviamente de acordo com a sua conclusão. E julgo que não tinha obrigatòriamente que ser assim. Mas foi. E tudo leva a crer que continuará a ser.

fado alexandrino disse...

Senhor João Gonçalves, num país onde ontem um amigo me dizia que Sócrates (o engenheiro da treta) vinha para começar o caminho até chegar a Presidente da República, desaparecer uma antiga livraria é um mal menor.