17.4.14

A utilidade subaquática do dr. Portas


 


«"Às vezes criam-se ideias que não são correctas", afirmou terça-feira Pedro Passes Coelho, em entrevista à SIC Notícias. O primeiro-ministro argumentava que o Governo tem trabalho feito no corte de consumos intermédios, referindo uma redução de 1,6 mil milhões de euros na máquina do Estado- as tão faladas gorduras - entre 2010 e 2013. O que Passos Coelho não referiu é que metade dessa correcção se deve a um efeito-base provocado pelo registo em 2010 dos dois submarinos comprados quando Paulo Portas era ministro da Defesa (...). "Em 2010 gastávamos 8,9 mil milhões de euros em consumos intermédios. Essa factura baixou em cerca de 1,6 mil milhões de euros", sublinhou. De facto, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam esse valor, mas não explicam como se chegou ali. Nos últimos três anos, os consumos intermédios tiveram uma contracção de 1.634 milhões de cures. A maior variação anual ocorre em 2011, com uma quebra de mais de mil milhões de euros. Grande parte dessa correcção deveu-se ao registo em contabilidade nacional dos submarinos Arpão e Tridente. Como? É que a compra dos submarinos foi contabilizada em 2010, engordando em 880 milhões dc euros a factura com consumos intermédios. No ano seguinte, como se tratou de uma despesa irrepetivel, esses 880 milhões desapareceram automaticamente, dando uma ajuda preciosa ao número apresentado por Passos. Excluindo essa operação extraordinária, o Governo cortou até agora 754 milhões de euros em consumos intermédios.»


 


In Jornal de Negócios

1 comentário:

Pedro disse...

Submarinos como consumos intermédios?!! parece-me que deviam antes ser consumos... dos intermediários.