9.2.14

Um político na Rua do Ouro




Vítor Gaspar é o primeiro dos ex-minstros do governo Passos Coelho a "explicar-se" em forma de livro, a partir de uma sequência de entrevistas com Maria João Avillez. Gaspar marcou indelevelmente o ritmo do XIX governo constitucional até ao dia 1 de Julho de 2013. Porventura antes desse dia em que apresentou formalmente a demissão, Gaspar já estaria "mentalmente" fora do barco. Nunca fora particularmente estimado pelos seus colegas nem tão pouco pelo Doutor Cavaco. "Tutelava", na prática, o primeiro-ministro a quem acabou por reconhecer não possuir "estofo" para suportar o "fardo da liderança". Traduzido para português, Gaspar "viu" que Passos Coelho precisava mais de "política", mesmo a pior, do que dele, o rosto do "enorme aumento de impostos" e da austeridade. Isto é, que, para manter as aparências, precisava de o sacrificar à politiquice de Portas. Portas foi promovido, arranjou um palácio para se instalar e anda pelo mundo atrás de empresários e dos negócios destes para aparecer na fotografia. Quanto aos pensionistas e contribuintes, públicos e privados, cujas almas ele encomendou ao Diabo a troco de pratos de pernil de porco preto que fazem sucesso em Caracas, foi-lhe cobrado moderação e silêncio complacentes salvo para impressionar totós políticos como o sr. Rajoy. Chamam a este enjoativo empadão "coordenação económica". Todavia Gaspar viu-se "vingado" no orçamento em vigor que mantém o fundamental do seu "programa" com as nuances (que ele não permitia) exigidas pelo calendário eleitoral e pelo estúpido relógio do Caldas. Terá todos os defeitos do mundo mas não é nem um oportunista nem um medíocre, duas espécies entretanto muito em voga na "zona de conforto" da maioria. Escreveu, com ironia e sem humildade, que falhou. As mesmas qualidades com que, decerto, contempla do seu gabinete da Rua do Ouro a "herança", ou a "massa falida", que persiste em nos pastorear.

Sem comentários: