Um tipo vai de hospital em hospital, onde é sistematicamente recusado por três, até ir morrer a um quarto. Outro está a cumprir uma pena de prisão e é violado na cadeia por ter sido enfiado numa cela com presos que foram transferidos de outro estabelecimento prisional por causa dos antecedentes comportamentais conhecidos do "sistema". Um filho asfixia a mãe, primeiro, e a seguir atira-a pela janela de um oitavo andar porque "precisava" do dinheiro que ela não tinha, a saber, uma das generosas pensões a rondar os duzentos euros que, de acordo com o "sistema", são imaculadas e provam a "justeza social" dos cortes nas outras. Não somos "sociedade" nem "Estado mínimo". "Somos morte", nas duas tão breves quanto certeiras palavras de Bernardo Soares.
2 comentários:
Somos morte, sim.
Mas somos até mais do que merecemos na nossa inenarrável cobardia.
Somos filhos do velho que nos castrou. Mas até ele, que não dispensava uns safanões dados a tempo, teria vergonha do povo que pariu.
Dantes morria-se em macas pelos corredores,à espera,à espera.Agora está melhor,areja-se de um lado para o outro,pode-se ir à bica nas estações de serviço
das muitas auto-estradas.
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