27.2.14

"Somos morte"

Um tipo vai de hospital em hospital, onde é sistematicamente recusado por três, até ir morrer a um quarto. Outro está a cumprir uma pena de prisão e é violado na cadeia por ter sido enfiado numa cela com presos que foram transferidos de outro estabelecimento prisional por causa dos antecedentes comportamentais conhecidos do "sistema". Um  filho asfixia a mãe, primeiro, e a seguir atira-a pela janela de um oitavo andar porque "precisava" do dinheiro que ela não tinha, a saber, uma das generosas pensões a rondar os duzentos euros que, de acordo com o "sistema", são imaculadas e provam a "justeza social" dos cortes nas outras. Não somos "sociedade" nem "Estado mínimo". "Somos morte", nas duas tão breves quanto certeiras palavras de Bernardo Soares.

2 comentários:

João Vargas Moniz disse...

Somos morte, sim.
Mas somos até mais do que merecemos na nossa inenarrável cobardia.
Somos filhos do velho que nos castrou. Mas até ele, que não dispensava uns safanões dados a tempo, teria vergonha do povo que pariu.

o diabo vai escolher disse...

Dantes morria-se em macas pelos corredores,à espera,à espera.Agora está melhor,areja-se de um lado para o outro,pode-se ir à bica nas estações de serviço
das muitas auto-estradas.