"Não deixar ninguém para trás" era um propósito original do PSD quando se lançou nas eleições de 2011. Isso passou para o programa do governo. Infelizmente não passou para a realidade. Nesse aspecto falhámos. Lamento que o primeiro-ministro substituísse esta evidência pela falácia de "um país melhor". Ou, na versão aparvalhada de Luís Montenegro, um país melhor com a vida das pessoas não melhorada. Falhámos e ninguém pede desculpa por isso. Pelo contrário, vejo as elites do PSD desfilarem na televisão ao som e fúria deste tropismo enganador como pobres figurantes num filme da malograda Shirley Temple. Nessa já longínqua primavera de 2011, uma vez dirigi-me ao presidente do PSD e afirmei-lhe que tinha a obrigação moral e política de ganhar aquelas eleições. Precisamente por causa das pessoas. Ora ao deixar-se afinal as pessoas para trás, havia pelo menos a obrigação moral e política de reconhecer o falhanço. Não é, porém, isso que se está a passar na Rua das Portas de Santo Antão. O tom geral, jubilatório e lubrificador, perpetua uma ilusão e ofende a vida das pessoas que não estão ali. Dizem que é o congresso "mais ideológico de sempre" por causa da "matriz social-democrata". Só se aludem às modernaças plataformas interactivas sobre os 40 anos da história do PSD que ornamentam o átrio do Coliseu. Mas isso é outra falácia. Porque a história do PSD, como a das pessoas, também ficou para trás.
1 comentário:
"Nesse aspecto falhámos."
E qua(l)(is) fo(i)(ram) o(s) aspecto(s) em que não falharam?
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