17.2.14

A fazer história, contando uma

Alguns leitores ficaram enxofrados com o post anterior e, sobretudo, com o título dele. Têm razão. Andamos todos demasiado embrutecidos e anestesiados - uma coisa deriva da outra e vice-versa - com as nossas coisinhas, privadas ou públicas, para que o termo "dignidade" (usado por contraponto à falta dela no nosso quotidiano) pareça esdrúxulo, deslocado, mesmo estúpido. E ainda mais assim quando é raríssima a dignidade, evidentemente. Têm, repito, razão. Mesmo em "ambiente campanha eleitoral" (de curto e de médio prazos), haverá claramente mais dignidade em sugerir "entendimentos conjuntos" a título comemorativo dos 40 anos de Abril - mesmo vinda a sugestão de quem não gosta deles ou que cheguem embrulhados em refolhos de Joana Vasconcelos -, em saídas mais limpas do que sujas - mesmo que o preço de tamanha limpeza seja incomportável, consta, precisamente desde há 40 anos, que o dinheiro aparece sempre - e em "há mar e mar e ir e voltar" como aponta o "novo rumo" do dr. Seguro que bem pode ser tomado por um "devaneio lógico" para usar terminologia de Fernando Pessoa, um famigerado entendido em muitas coisas entre as quais as marítimas. Mais do que de dignidade, a avaliar pelos plumitivos de serviço, parece que nos encaminhamos para rebentar de felicidade, como a ceifeira do supra citado que cantava "julgando-se feliz, talvez", por altura do tempo das cerejas. Também devem ter razão. Estamos, de facto, a fazer história. Ámen.