
Tabucchi lia Fernando Pessoa como muitos portugueses não conseguem ler. Isto quer dizer que tinha um interesse genuíno por essa coisa que passa por literatura portuguesa da qual, aliás, acabou por fazer parte. É de uma das suas leituras de Pessoa o excerto seguinte onde, ao lê-lo, leu-nos a nós. «Pessos não escapou, sem dúvida, à ira da divindade que desafiou, e não precisa de um código religioso para ter o castigo que lhe compete. Na sua lucidez, precisamente enquanto está cometendo o seu pecado, enquanto está sendo o que não é permitido ser, sabe perfeitamente que «falta sempre uma coisa/ um copo, uma brisa, uma frase,/ e a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.»
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