13.3.12

Ardant na fogueira



Mas o grande acontecimento da semana é, sem sombra de dúvida, a presença de Fanny Ardant na Gulbenkian para interpretar a obra de Honneger, Jeanne d'Arc au bûcher. No meu "tempo" no São Carlos, e por instâncias do Paolo Pinamonti, Ardant esteve quase a vir protagonizar a coisa numa encenação de Luís Miguel Cintra. Veio a isabel Huppert. Joana d'Arc na fogueira, pois então.

4 comentários:

Isabel Metello disse...

Já lá está há vários anos e arderá com a cabeça levantada, não por orgulho, mas por Dignidade e Honra! Há que dar o exemplo, para outros casos similares, por aí escondidos na invisibilidade bárbara conveniente! Um cobarde nunca vai à fogueira, é assim desde os primórdios, um cobarde verga a coluna até ao chão, pois o seu ego elefântico estrá muito associado ao seu instinto de sobrevivência e à fuga sempre ao sacrifício (sacer + facio :). Os autos-de-fé são uma tradição ainda em voga, como as touradas, há que cumpri-las até por vegetarianos convictos! Quem tem plena Consciência da audácia de confrontar poderes obscuros sabe o preço a pagar, que já tem pagado até ao final, perante o qual a Criatura Circularmente Viciosa e compadres se babarão, como o faziam noutros tempos, noutros contextos, mas com a mesma essência! A sentença já está dada, intuo-a há muitos anos, pelas ameaças internas recorrentes em regime de deixa-me usar-te como escudo para esconder os meus desvios. Curvar-se para proteger Inocentes não é indigno, muito pelo contrário, É saber aceitar a Palavra :) "Assim Seja Feita A Tua Vontade, Amen!". A fase de "Pai, por que me Abandonaste?" já passou, com a compreensão de que esse pretenso abandono é uma heresia- Os Passos na praia Eram os Dele, que A Transportava Ao Colo. Por Ele, com Ele, por Ela, por Eles ao cadafalso e à fogueira sem pestanejar!

Isabel Metello disse...

Mas esqueci-me do essencial- obrigada por não me tratar como uma leprosa, a par de Outros Elevados- tem actualizado A Palavra na Sua Essência e isso, por si, por Ela, para mim, É já Um Milagre! Amen, que Deus Esteja sempre consigo e o Proteja e aos seus, Dando-lhes a Paz da qual nunca pude desfrutar, talvez para me autosuperar! Deus É tão Bom, tão Magnânimo, tão Pai!

Vortex disse...

o caso Santa Joana é um episódio da guerra anglo-franca.
a fogueira actual tem outros combustíveis.
o motivo é sempre o mesmo.

o disse...

Joana é bem mais que um "episódio histórico". Dreyer,Bresson,Claudel bem sabiam que matéria assustadora iam abordar. O chamamento,a renúncia,o triunfo da Injustiça revestida de todas as suas pompas. É terrivel a vitória do bispo Cauchon,a vitória do Mal sobre o Bem. A Joana não valeu a pequena luz bruxuleante,pois nem sempre vale nem sempre salva. Mas conclua-se em tom mais ameno que Claudel não excluia a esperança. Veja-se o título alternativo do "Soulier de Satin","Le Pire n'est pas toujours sûr" e a epígrafe do mesmo "Soulier",mencionada em português,aliás, "Deus escreve direito por linhas tortas".