«Na semana passada, com o triplo doutoramento “honoris causa” - onde é que isto já se viu? - atribuído simultaneamente a Paul Krugman, a nossa elite universitária exibiu um penoso, e escusado, provincianismo. De certo modo na mesma linha, vejo entretanto aparecer um projecto de fusão das Universidades Clássica e Técnica de Lisboa. Trata-se de uma falsa boa ideia, como são frequentemente as ideias confusas. A Universidade Portuguesa precisa sem dúvida de reformas profundas e radicais. Devíamos, por exemplo, ter um terço das universidades e dos cursos que existem, há muito tempo que isso se sabe. Mas o problema não é de “escala” ou de “número” de alunos. Nem o seu projecto pode ser o de gerir imobiliário para “gerar mais-valias”, como se pode ler na entrevista conjunta que os dois reitores daquelas Universidades deram ao DN no domingo passado. Entrevista em que – estranhamente – se fala muito de imobiliário e pouco de saber, numa conversa que em momento nenhum traduz um pensamento inovador ou uma visão de ruptura sobre o futuro da Universidade, como seria de esperar e de desejar. O problema da Universidade portuguesa é de autonomia e é de meios, ponto final. O que é que adianta vir a ter o dobro dos alunos de Harvard ou o triplo de Stanford, se o orçamento for – como se prevê – dez ou doze vezes inferior? E já que agora falam tanto da importância dos “campus” universitários, porque é destruíram os que havia, nomeadamente o do magnífico Instituto Superior Técnico, concebido pelo Arquitecto Pardal Monteiro (a seu tempo classificado) com uma medonha proliferação de construções sem nexo nem autorização, transformando uma pérola da arquitectura de Lisboa numa espécie de periferia terceiro-mundista no coração da capital?» (Manuel Maria Carrilho)
1 comentário:
Muito obrigado, é tudo tão triste.
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