8.3.12

Ideias soltas*

«Na semana passada, com o triplo doutoramento “honoris causa” - onde é que isto já se viu? - atribuído simultaneamente a Paul Krugman, a nossa elite universitária exibiu um penoso, e escusado, provincianismo. De certo modo na mesma linha, vejo entretanto aparecer um projecto de fusão das Universidades Clássica e Técnica de Lisboa. Trata-se de uma falsa boa ideia, como são frequentemente as ideias confusas. A Universidade Portuguesa precisa sem dúvida de reformas profundas e radicais. Devíamos, por exemplo, ter um terço das universidades e dos cursos que existem, há muito tempo que isso se sabe. Mas o problema não é de “escala” ou de “número” de alunos. Nem o seu projecto pode ser o de gerir imobiliário para “gerar mais-valias”, como se pode ler na entrevista conjunta que os dois reitores daquelas Universidades deram ao DN no domingo passado. Entrevista em que – estranhamente – se fala muito de imobiliário e pouco de saber, numa conversa que em momento nenhum traduz um pensamento inovador ou uma visão de ruptura sobre o futuro da Universidade, como seria de esperar e de desejar. O problema da Universidade portuguesa é de autonomia e é de meios, ponto final. O que é que adianta vir a ter o dobro dos alunos de Harvard ou o triplo de Stanford, se o orçamento for – como se prevê – dez ou doze vezes inferior? E já que agora falam tanto da importância dos “campus” universitários, porque é destruíram os que havia, nomeadamente o do magnífico Instituto Superior Técnico, concebido pelo Arquitecto Pardal Monteiro (a seu tempo classificado) com uma medonha proliferação de construções sem nexo nem autorização, transformando uma pérola da arquitectura de Lisboa numa espécie de periferia terceiro-mundista no coração da capital?» (Manuel Maria Carrilho)


 


 


«O Expresso mudou os seus suplementos e seguindo os padrões da moda a Revista tornou-se light, sem gorduras intelectuais que só maçam e fazem virar a página. Nesta última entrevista uma série de rapazes e raparigas sob o espectacular título "O Mundo aos 18" o que equivale a dizer que todos eles poderiam colocar o seu voto nas urnas e decidir o futuro da Tugulândia. São meia dúzia não faltando á chamado uma rapariga preta e a componente homossexual neste caso et pour cause uma lésbica. Ainda não está na altura de apresentar rapazinhos com 18 anos como o sendo. Hoje apresentamos o André e vamos buscar mais algum do seu profundo pensamento para percebermos o que nos reserva o futuro.

Vamos então ouvi-lo.



Pensas ir para o estrangeiro?

Adoro Portugal. Como tenho algumas cunhas no estrangeiro se for bom saio de cá para a Alemanha ou Suíça.


Que notícia dos últimos tempos te chamou mais a atenção?

Xih! Há quanto tempo eu não ligo a notícias nacionais ou internacionais


Consideras-te mais de esquerda ou de direita?

Não ligo nem percebo de política. Estou algures no meio.


Já participastes nalguma manifestação, acreditas no seu poder?

Eu nunca. Sei que há problemas à minha volta. Mas sou relaxado. Não gosto de confusões. Se os outros estão lá escuso de ir.


Que opinião tens sobre Pedro Passos Coelho?

Não tenho opinião.


E sobre Cavaco Silva?

Não estou a par.


Com que idade apanhastes a primeira bebedeira?

O ano passado quando fui a Ibiza. Estive três dias bêbedo.»(Fado Alexandrino)




*«Ideias soltas» são ideias que o leitor pode ligar ou desligar, conforme melhor entender. Lembro, a propósito, que Condillac dizia que a diferença entre o génio e o idiota se encontra sobretudo no facto de o génio ligar ideias a mais, e o idiota ligar ideias a menos. Parece bem visto.» (ibidem Carrilho)

1 comentário:

fado alexandrino disse...

Muito obrigado, é tudo tão triste.