
«Há homens que têm a ventura ou a desventura de viver entre dois mundos. Giuseppe Tomasi, Príncipe de Lampedusa, o homem que fora o rapaz que dizia preferir a companhia das coisas à companhia das pessoas, é uma dessas figuras trágicas. Luchino Visconti di Modrone, Conde de Lonate Pozzolo, alma eternamente perdida entre a estética aristocrática da sua infância (Senso, O leopardo, Morte em Veneza, Ludwig) e o apelo neo-realista do seu ideário comunista (La terra trema, Ossessione) é outra dessas almas penadas do entre dois mundos. Talvez por isso seja filha de ambos essa obra maior sobre a decadência. Decadência de que Visconti dizia ter uma opinião “muito favorável”. Decadência que é simultaneamente luto e esperança e que é, precisamente, o nome do angustiante lugar que é o de entre dois mundos.»
1 comentário:
Fui ler o texto do Pedro Norton e, se não me falha a memória, o que Lampedusa escreveu é ligeiramente diferente. Traduzo de cor: "É preciso mudar tudo (e não alguma coisa) para que tudo continue na mesma".
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