20.3.12

Entre dois mundos


 


«Há homens que têm a ven­tura ou a des­ven­tura de viver entre dois mun­dos. Giu­seppe Tomasi, Prín­cipe de Lam­pe­dusa, o homem que fora o rapaz que dizia pre­fe­rir a com­pa­nhia das coi­sas à com­pa­nhia das pes­soas, é uma des­sas figu­ras trá­gi­cas. Luchino Vis­conti di Modrone, Conde de Lonate Poz­zolo, alma eter­na­mente per­dida entre a esté­tica aris­to­crá­tica da sua infân­cia (Senso, O leo­pardo, Morte em Veneza, Ludwig) e o apelo neo-realista do seu ideá­rio comu­nista (La terra trema, Osses­si­one) é outra des­sas almas pena­das do entre dois mun­dos. Tal­vez por isso seja filha de ambos essa obra maior sobre a deca­dên­cia. Deca­dên­cia de que Vis­conti dizia ter uma opi­nião “muito favo­rá­vel”. Deca­dên­cia que é simul­ta­ne­a­mente luto e espe­rança e que é, pre­ci­sa­mente, o nome do angus­ti­ante lugar que é o de entre dois mundos.»


 


Pedro Norton, Escrever é triste

1 comentário:

domedioorienteeafins.blogspot.com disse...

Fui ler o texto do Pedro Norton e, se não me falha a memória, o que Lampedusa escreveu é ligeiramente diferente. Traduzo de cor: "É preciso mudar tudo (e não alguma coisa) para que tudo continue na mesma".