O primeiro-ministro fez do encerramento das jornadas parlamentares da maioria um ponto de partida. Já se sabia que estava em campanha mas, no sábado, deixou a coisa bem clara quando, por outras palavras, chamou estúpidos aos jornalistas e aos comentadores que não conseguem enxergar o bem que ele representa para a pátria. Passou-lhes um atestado de "Maria vai com as outras", isto é, a "redacção única" - mesmo muita da de economia e finanças - é "preguiçosa" e "patética" quando não lê pelas mesmas lentes o Excel extraordinário e salvífico que diariamente o dr. Passos apresenta aos pobres de espírito que pastoreia e que, afinal, não o merecem. Se o dr. Costa representa para muitos incautos o Natal, o dr. Passos é o Crucificado e a "vociferante matilha do espectáculo" o seu Golgotá. Quando o dr. Passos apareceu no 1º semestre de 2011 para ficar, aplaudi-lhe, por contraste com o caudilho socialista, a aparente normalidade. A sua vitória desanuviou um ambiente político envenenado pelo ensimesmamento auto-suficiente do anterior chefe do governo. Sucede que o dr. Passos foi-se convencendo - e alguns imbecis encartados ou descartados ajudaram-no nesse convencimento - da sua infalibilidade, à semelhança do antecessor, transformando-se politicamente num papagaio evangélico. Talvez por isso aprecie comparar-se, a seu crédito, com alguns "profissionais" da cacofonia, muitos dos quais, aliás, tal como haviam feito com Sócrates, tão depressa o incensaram quanto o execram agora. A histeria de ontem não augura nada de bom. É uma reprise. E das más.

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