9.10.14

Requiem ou Te Deum?


 


Em menos de 24 horas, parece que regressámos ao "programa de ajustamento" relativamente ao qual um relógio instalado no Largo do Caldas, em Maio último,  mostrava segundo a segundo a proximidade da "libertação". Não é afinal bem assim como esclareceram os drs. Passos e Maria Luís e como mostra o "preparado" para o orçamento de 2015. O orçamento é de profunda austeridade. O que eventualmente possa ser "aliviado" em sobretaxa do IRS será "engolido" de outra forma e por outras alíneas, os rendimentos auferidos por conta de outros, seja na versão trabalhador activo ou pensionista, persistem "congelados" e, a título de "brinde", existe a séria possibilidade de os contribuintes, via CGD, acabarem por ter de dar qualquer coisinha para o peditório BES. O "rentismo" público-privado ou puramente privado, por outro lado, prospera (e, no governo, há quem zele por essa prosperidade) e, certamente, mesmo com o descalabro da PT e do BES à frente do focinho de toda a gente, o ano será pródigo para fechar negociatas que ainda estarão por fechar e deixar abertas as que puderem ser deixadas abertas. Assim como assim, e independentemente dos partidos a que pertencem, há sempre a possibilidade de as pessoas certas se encontrarem nos corredores de um escritório de advogados ou de uma consultora. Vítor Gaspar, a partir de Washington, apresentou um paper ao FMI que desmente retoricamente tudo o que ele, na prática, perpetrou no Terreiro do Paço e que continua a servir de "missal" para o derradeiro orçamento da coligação. Como Gaspar é um poço de ironia, não sei se se tratava de um Te Deum ou de um Requiem. Seja lá o que for, é mau de mais e do mesmo.

2 comentários:

Justiniano disse...

O caro J. Gonçalves leu o tal paper do FMI!?

Anónimo disse...

Um país com um défice crónico real e aldrabado por táticas manhosas de ocultação e utilização abusiva de normas europeias, endividado com dívida criminosa escondida em empresas satélite do Estado, e de cofres vazios em 2011 é um país falido, que só tem três opções: cobrar mais impostos, endividar-se mais e deixar para as gerações futuras o pagamento durante mais cem anos, ou não cumprir total ou parcialmente com o pagamento de salários e pensões e declarar bancarrota. A questão que se tem de colocar é esta: como é que nós deixámos o país chegar a isto? O resto são sintomas. Nós gostamos todos muito de história mas é só das partes dos descobrimentos.