
Em menos de 24 horas, parece que regressámos ao "programa de ajustamento" relativamente ao qual um relógio instalado no Largo do Caldas, em Maio último, mostrava segundo a segundo a proximidade da "libertação". Não é afinal bem assim como esclareceram os drs. Passos e Maria Luís e como mostra o "preparado" para o orçamento de 2015. O orçamento é de profunda austeridade. O que eventualmente possa ser "aliviado" em sobretaxa do IRS será "engolido" de outra forma e por outras alíneas, os rendimentos auferidos por conta de outros, seja na versão trabalhador activo ou pensionista, persistem "congelados" e, a título de "brinde", existe a séria possibilidade de os contribuintes, via CGD, acabarem por ter de dar qualquer coisinha para o peditório BES. O "rentismo" público-privado ou puramente privado, por outro lado, prospera (e, no governo, há quem zele por essa prosperidade) e, certamente, mesmo com o descalabro da PT e do BES à frente do focinho de toda a gente, o ano será pródigo para fechar negociatas que ainda estarão por fechar e deixar abertas as que puderem ser deixadas abertas. Assim como assim, e independentemente dos partidos a que pertencem, há sempre a possibilidade de as pessoas certas se encontrarem nos corredores de um escritório de advogados ou de uma consultora. Vítor Gaspar, a partir de Washington, apresentou um paper ao FMI que desmente retoricamente tudo o que ele, na prática, perpetrou no Terreiro do Paço e que continua a servir de "missal" para o derradeiro orçamento da coligação. Como Gaspar é um poço de ironia, não sei se se tratava de um Te Deum ou de um Requiem. Seja lá o que for, é mau de mais e do mesmo.
2 comentários:
O caro J. Gonçalves leu o tal paper do FMI!?
Um país com um défice crónico real e aldrabado por táticas manhosas de ocultação e utilização abusiva de normas europeias, endividado com dívida criminosa escondida em empresas satélite do Estado, e de cofres vazios em 2011 é um país falido, que só tem três opções: cobrar mais impostos, endividar-se mais e deixar para as gerações futuras o pagamento durante mais cem anos, ou não cumprir total ou parcialmente com o pagamento de salários e pensões e declarar bancarrota. A questão que se tem de colocar é esta: como é que nós deixámos o país chegar a isto? O resto são sintomas. Nós gostamos todos muito de história mas é só das partes dos descobrimentos.
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