
Em Portugal abunda a tendência para a centrifugação rápida das poucas formas de vida diferente que andam, ou andaram, pela política. Enquanto não "repõem" a "normalidade" com uma ecologia de gnomos subservientes ou de inteligência única, não descansam. Se, por exemplo, olharmos para os "comunicadores" que em geral comunicam em nome dos respectivos partidos (filiados ou afins), o afunilamento cerebral é confrangedor. Para o governo, e à medida que saem algumas criaturas com modos diversos de autonomia e de expressão crítica razoáveis, entra a "rapaziada" dos partidos da coligação que já desesperava não poder assistir em directo ao afundamento anunciado. Aproveitam-se poucos dos que estavam. O que sempre não se recomendou politicamente, como o gabinete do primeiro-ministro, parece estar ainda pior como se pôde constatar pelas trapalhadas retóricas do chefe do governo na primeira sessão de debate do orçamento. São como os pavões dos jardins de São Bento: cada um pupila para seu lado. Aliás, o que apanhei do dito debate revelava uma impreparação geral e uma indiferença pelos resultados do que se está a discutir que chegam a ser obscenas. Todos, governo e oposição, já só olham gulosamente para o acto eleitoral por vir como se não houvesse vidas sem módicos de qualidade de vida fora do plenário do antigo convento. Tem, pois, razão Manuela Ferreira Leite quando lembra que «se me tivessem ouvido certamente que o país não estaria como está. Nesse tempo chamavam-me Cassandra considerando que eu era um arauto do pessimismo. Também me recordo que no meu próprio partido aquilo que eu dizia em alguns casos era considerado aselhice política, porque se considerava que eu devia dizer o contrário. Por outro lado, nem sempre todo o partido esteve de acordo comigo e em alguns casos esteve com PS. Não esqueço os silêncios do meu partido e do partido da oposição. Se a política é só isto não vamos longe.» Não vamos mesmo.
Adenda: Anda um tipo uma vida inteira a produzir auditorias sobre diversos sectores públicos (claro está, dentro da execrada administração pública ou através da Comissão Europeia na longínqua América Latina, o mais próximo de nós nestes "costumes"), quando, parafraseando o Rui Unas no final de Os Imortais, se descobre que há sempre uns "auditores" mais "auditores" do que nós. Este país derrota.
8 comentários:
Em todo o caso, devemos conservar o coração como o de uma criança e ter esperança. Manuela Ferreira Leite estava certa, certíssima!, em 2009, da mesma forma que hoje anda errada, erradíssima!, em muitas das coisas que diz no seu muito peculiar labyrintho comentador. Acredito plenamente na trajectória iniciada por este Governo, nos fundamentais da economia. O PS não faz a ponta de um corno de uma ideia de como colocar o País a crescer e resolver os problemas seriíssimos que criou. Dívida, défice, economia, crescimento, desemprego, a verdade é que o enguiço de mais de uma década de estagnação, apesar de rios de dinheiro, pode ser quebrado a partir de agora, graças a esta política. É só aguardar pela plenitude dos seus frutos.
Caríssimo João, não devemos esquecer o concomitante parecer jurídico soloicitado pelo nosso inolvidável «Menino-Guerreiro» para que os 20% de tributo devido pelo mega-jackpot lusito do Euromilhões reverta na íntegra para a SCML: de outro modo, como poderia ele mandar abonar mensalmente esta excelsa colecção de notáveis recém-recrutados para a promoção do Bem?
Que saudades da época em que o nosso inolvidável «Menino-Guerreiro» fingia que jogava à Mário Jardel no Liceu Padre António Vieira...
Cá para nós, isto ainda acaba com o não menos inolvidável Durão-"Cherne"-Barroso no lugar sacrossanto de Provedor da nossa Misericórdia.
Cum camano! Uma verdadeira santa casa!
Claro, o pessoal do governo... todos indiferentes para com as consequências das suas decisões e a pensarem "o povo que se lixe". Uns pavões "impreparados" que só fazem trapalhadas! E, NO ENTANTO, são vários os indicadores que mostram que a situação do país está finalmente a inverter-se apesar do muito trabalho que ainda há pela frente.
Claro que podemos focar-nos em 3 ou 4 aspectos negativos da governação de Passos Coelho (incluindo as gafes e apelidá-las de incompetência como se nós próprios não cometêssemos várias ao longo do dia) e explorar esses aspectos até à exaustão e depois fingir que é igual para o resto da governação.
Mas, para azar da oposição, ainda sobram bons exemplos: a confiança dos consumidores aumentou para níveis de há 12 anos, aumentou também a confiança da industria transformadora, comércio e construção, há menos desemprego, há maior capacidade de atrair investimento estrangeiro, as receitas do turismo atingiram recordes apesar da tão contestada subida do IVA para 23% na restauração, hotéis com uma taxa de ocupação como já não se via há anos (mesmo com o aumento da quantidade de camas/alojamentos).
Como serão possíveis tais coisas com alegadamente tão mau governo? Dá que pensar!
E, quando fala de afunilamento de ideias dos comentadores políticos, isso deve-se a quem os "convida" pois, se não fossem os interesses, quem tem poder ou influência na comunicação social poderia conceder igualdade de oportunidades para todos os quadrantes políticos.
Acontece também em cada um dos partidos (como refere logo nas suas primeiras linhas) e, claro, no próprio governo mas aqui a responsabilidade de tal afunilamento também é da oposição (respectivos partidos e alguns dos meios de comunicação social mais mediáticos).
Por mero exemplo, julgo inesquecível a contestação cerrada que sofreu até ser forçado a ir embora quem veio de fora, com ideias, para ajudar a levantar o país. Contestação essa que incluiu abundantemente as respectivas tropas de elite da oposição (vulgo sindicatos).
Mas para quê lembrar? Vale mais dar ouvidos a certos militantes da outra ala do PSD que vivem agastados, zangados, amargurados... por terem sido vergonhosamente postos de parte.
É que dar ouvidos ao velho PS que tomou de assalto a liderança do partido só mesmo sendo masoquista. Realmente extraordinária a largueza de ideias dos extraordinariamente beneméritos membros do ex-governo de Sócrates e de Sócrates obviamente que tão convictamente é defendido por António Costa no seu programa televisivo de propaganda eleitoral como também é elogiado por Ferro Rodrigues na própria assembleia da república neste mesmo debate do orçamento numa quase representação teatral sem o mínimo senso do ridículo ou sentimento de vergonha!
Seria realmente assombroso voltarmos para aquela política de endividamento das gerações futuras que tantos proveitos trouxe a uns quantos que ainda salivam copiosamente pelo próximo quadro de ajudas comunitárias e para as ilusões de vida fácil e futuro risonho que colocou governo, empresas e cidadãos deste nosso país a viver do dinheiro que não tinham.
Que belo caminho! O caminho da despreocupação e comodismo onde Ferro Rodrigues e António Costa (e restante pandilha) querem estender a passadeira vermelha! Dar a umas quantas pessoas que se exaltam nas ruas as benesses [= aquilo que vem sem trabalho] que tanto reclamam e está feito. Depois será só uma questão de retomarem eles próprios (como grandes políticos que se consideram) as grandes negociatas que foram interrompidas.
Dar ouvidos à esquerda radical que caracteriza o PCP e outros que tais também não é solução. Depressa tornariam Portugal na Venezuela da Europa (mas sem o petróleo) em que todos teríamos de viver de senhas de alimentação e do mercado negro que entretanto surgisse.
Quanto à sua adenda, nem podia deixar de ser, pois claro... por uma questão de hábito ou conveniência vamos lá malhar mais
Agora que se sabe que há "mega-jackpots" assim e que uma vez por acaso até podem sair em Portugal... é fácil fazer críticas a alguém que, segundo afirma... solicitou... (perdão que até me engasguei com tamanha ousadia!) solicitou um parecer jurídico!
Só de pensar que há os que entram logo a matar exigindo tudo e mais alguma coisa... é indecoroso ver alguém que solicita... um parecer... jurídico!
Arre!
Essa solicitação foi a modos que "contar com o ovo no cu da galinha".
E o ovo não estava lá.
Se chega a PR e começa a pedir "solicitações" com a mesma ligeireza não há orçamento que chegue.
Ora, meu caro "fado alexandrino", quando um político faz uma solicitação jurídica, seja que político for, não está desde logo e de certo modo esperançoso em ver confirmada a sua pretensão? O que os diferencia é o que cada um faz antes e depois de ver confirmada ou negada a pretensão.
De resto, remeto-o para uma segunda leitura do meu comentário anterior pois aparenta não ter alcançado a diferente atitude de quem segue as regras e se sujeira a elas e a atitude de quem se está marimbando para o que é certo ou errado e simplesmente exige mundos e fundos independentemente da legalidade ou das consequências.
Relativamente à sua última frase, não deixa de ter uma certa piada. Se chega a PR e fizer solicitações jurídicas estará a desperdiçar rios de dinheiro mas se as não fizesse então imediatamente seria acusado de ser arrogante, de pensar que sabe tudo, de não respeitar as instituições, o governo, o tribunal constitucional, etc.
E que dizer então das constantes solicitações jurídicas da autoria da oposição em geral e dos sindicatos em particular? Ou para essas já há sempre orçamento que chegue mesmo quando custam rios de dinheiro em prejuízos que depois têm de ser pagos pelos contribuintes?
Quarentão, fico fascinado quando aparece alguém a sustentar que a posição do país começa a inverter-se: a dita também começou a inverter após 5 de Junho de 2011, após 1 de Janeiro de 2012, após..., após..., após..., sempre graças à sincronia infalível da passagem dos semestres e dos OE rectificativos.
Foi-se o "Raspar" para o seu tão sonhado aconchego estado-unidense em 2013 e, após 350.000 emigrantes a mais e € 60.000.000.000,00 a menos no PIB, estamos todos finalmente a começar a inverter. Como? Obviamente com os pareceres jurídicos pedidos à medida pelo Sr. Provedor da SCML...
Resta-nos a nós (aos PPD/PSD's, é claro) cumprir essoutro excelso desígnio nacional: Sigamos o Cherne!!!
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