16.10.14

Onde é que estará a graça?


Foto: EPA/JOSÉ SENA GOULÃO



 Foto: Daniel Rocha


«Há muito que o Orçamento do Estado deixou de ser o que sempre havia sido: o principal instrumento de política económica do Governo. Mas nunca foi tão vazio, e nisso inútil, como este. Nunca vi coisa assim: uma reforma fiscal ficar fora do Orçamento. Ao dizer que não faz mal, pois basta que os números do IRS e da fiscalidade verde batam certo, a ministra das Finanças está a confessar que o Orçamento não é resultado de políticas públicas. É uma folha de caixa que as define. E ainda há quem ache isto normal. Não é normal resumir o Estado a fluxos: quanto recebe em vez de quem paga; quanto gasta em vez de quem recebe; quanto perde em vez de o que faz; quanto deve em vez de para onde vai. É um exercício do possível em vez de uma escolha entre possibilidades. Nunca fomos escravos da troika, como se vê agora. Somos ainda escravos da dívida. Com umas folhas de louro em ano de eleições (...) Para Portugal, o problema está na entrega total e sem imaginação nem ousadia às ordens do centro da Europa. As contas deste governo supunham que, ao fim de alguns anos de austeridade, a economia cresceria 4% ao ano, como então António Borges vaticinava. Não aconteceu. Acontece na Irlanda, que fez por si, foi muito mais dura mas rápida na austeridade e não se fez à fotografia para a Alemanha, impondo uma política fiscal rebelde que, aliás, lhe custou juros mais caros (...). Talvez este não seja mesmo o último Orçamento deste governo, pois há espaço para retificativos. Mas este pode ser o último governo deste Orçamento. Porque já não estamos a governar, estamos a gerir a situação.»


 


Pedro Santos Guerreiro, Expresso

4 comentários:

Jorge Diniz disse...


ONDE É QUE ESTARÁ A GRAÇA? (http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/onde-e-que-estara-a-graca-3658520)


A (des)GRAÇA está ao centro toda sorridente. O Desgraçado sou Eu, pobre contribuinte da classe média baixa.

PALAVROSSAVRVS REX disse...

Esta crónica do PSG, tal como as da sua nova vida no nulo a acomodado ESPESSO, deixa muito a desejar em sede de honestidade elementar. Nem os jogos de palavras o salvam. Havia outro PSG de que eu gostava e merecia o meu respeito e adesão...

José Mendonça da Cruz disse...

Ups! E depois sobreveio a baixa de IRS para as famílias com dependentes e o aumento das deduções. Se isso não é política a sério. não sei o que seja. Mas eu compreendo. O Pedro Santos Guerreiro anda muito nervoso a querer ser director.

Helder Machado disse...

Deixe as meninas rir, elas ainda não pagam impostos por isso.